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Nova capacidade operacional do Saab F-39E Gripen da FAB
A Força Aérea Brasileira (FAB) firmou uma nova capacidade operacional para seus caças Saab F-39E Gripen durante o Exercício Conjunto Escudo-Tínia 2026, ao executar manobras de reabastecimento a quente na Base Aérea de Anápolis. Essa prática, conhecida internacionalmente como hot refueling, permite abastecer a aeronave com o motor em funcionamento, diminuindo de forma relevante o intervalo entre o pouso e uma nova decolagem para missão.
No contexto brasileiro, o procedimento foi conduzido pelo Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA) “Esquadrão Jaguar”, unidade encarregada de operar o Gripen a partir de Anápolis.
A adoção dessa capacidade dentro do Escudo-Tínia 2026 é um marco para o programa Gripen no Brasil, pois leva para o ambiente de um exercício conjunto uma técnica que o 1º GDA vinha desenvolvendo desde abril deste ano, quando realizou sua primeira campanha operacional de reabastecimento a quente totalmente executada por efetivos da própria unidade.
Naquela atividade, participaram pilotos do 1º GDA, mecânicos do Grupo Logístico de Anápolis (GLOG-AN) e operadores de abastecimento, responsáveis por coordenar os procedimentos de segurança, o fluxo de circulação no pátio, a conexão de mangueiras, o controle do combustível e a liberação da aeronave.
O que isso significa para o emprego do novo caça brasileiro
O principal ganho do reabastecimento a quente é manter o F-39E Gripen “vivo” durante a operação no solo: ele não interrompe por completo o ciclo de missão, conserva sistemas em funcionamento e pode retornar ao ar em menos tempo. De acordo com o comandante do 1º GDA, tenente-coronel Vítor Bombonato, o piloto pousou e, “em poucos minutos”, o avião ficou totalmente reabastecido e pronto para decolar novamente, sem a necessidade de desligar os motores, preservando comunicações e a consciência situacional.
O oficial também afirmou que, ao longo do exercício, o processo se mostrou “simples, rápido, e seguro”, permitindo deixar a aeronave pronta para voltar ao combate em torno de cinco minutos.
Essa capacidade é particularmente relevante para uma força aérea que pretende ampliar a disponibilidade de seus vetores em cenários de alta intensidade. Na prática, um F-39E Gripen capaz de pousar, reabastecer e decolar outra vez em poucos minutos aumenta o número de saídas possíveis, diminui a vulnerabilidade em solo e ajuda a sustentar patrulhas de defesa aérea com maior continuidade.
Exercício Conjunto Escudo-Tínia 2026 e a integração entre forças
Escudo-Tínia 2026 como banco de provas
O Escudo-Tínia 2026 teve início em 11 de maio, na Base Aérea de Anápolis, e seguirá até 29 de maio, reunindo meios e pessoal da Força Aérea Brasileira, da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro em missões de elevada complexidade. Como já havia sido informado, esta edição registra a primeira participação do F-39E Gripen no exercício, ao lado de aeronaves F-5M, AMX A-1, A-29 Super Tucano, KC-390 Millennium, E-99M, C-105 Amazonas e helicópteros H-36 Caracal, além de meios de defesa antiaérea e estruturas de comando e controle.
O Exercício Escudo-Tínia 2026 é conduzido de forma coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), pelo Comando de Preparo (COMPREP) e pela Base Aérea de Anápolis. Entre os objetivos centrais, estão a validação de procedimentos, o reforço da interoperabilidade e a melhoria da coordenação entre as forças, pontos considerados essenciais para responder com rapidez e eficiência diante de cenários de crise e operações militares complexas.
Base Aérea de Anápolis e a transição brasileira para o Gripen
Cabe destacar, por fim, que a Base Aérea de Anápolis também possui um papel particular nesse processo. É ali que está sediado o 1º GDA, unidade que vem liderando a transição brasileira para o Saab F-39E Gripen, a partir da qual a FAB tem consolidado infraestrutura, doutrina e pessoal especializado para operar o novo sistema de armas.
A realização do reabastecimento a quente durante o Escudo-Tínia 2026 confirma que o programa não se limita à incorporação das aeronaves, mas avança para procedimentos operacionais mais exigentes, necessários para explorar o Gripen como um vetor moderno de defesa aérea.
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