Quando a onda de calor aperta, qualquer solução para deixar a casa mais fresca vira prioridade - e os dados deixam isso evidente. Nos últimos dias, as vendas de aparelhos de climatização mais que dobraram, especialmente ventoinhas e ar-condicionados portáteis. Além disso, os consumidores estão desembolsando mais do que no ano passado: há opções a partir de 12 euros e outras que passam de mil. Já a instalação de equipamentos fixos pode exigir espera de até quatro semanas.
A oferta é ampla: ventoinhas de coluna alta, modelos portáteis, climatizadores, torres com wi-fi, ventiladores e diferentes tipos de ar-condicionado. A procura dispara sempre que os termômetros encostam nos 40 °C - e, neste ano, o padrão se repete. Rita Faria, diretora-geral do KuantoKusta, diz ao JN que, nos primeiros dias de julho, as encomendas desses produtos mais que duplicaram em comparação com o mesmo período do ano passado. Na plataforma, as pesquisas também cresceram em várias categorias de climatização, que ocuparam as cinco primeiras posições. O item mais buscado foi o ar-condicionado portátil, com os climatizadores evaporativos logo atrás.
A Worten afirma estar vivendo o melhor ano de sempre nas vendas de ventoinhas e climatizadores, com alta em torno de 30% na comparação com o período homólogo. Nos ar-condicionados portáteis - normalmente mais acessíveis do que os fixos - o avanço chega a 40%. Miguel Sousa, diretor de operações da Fnac, também relata crescimento: as vendas de ventoinhas subiram 80%, e as de aparelhos de ar-condicionado aumentaram 60%.
Até quatro semanas
Segundo o responsável, o gasto médio do consumidor está maior do que em 2024, com aumento de cerca de 30%. Vale lembrar que, em 2025, o IVA dos equipamentos energéticos passou de 6% para 23%, uma subida que pode acrescentar até 48 euros em certos artigos. Rui Gafur, diretor de equipamento tecnológico da Auchan Retail, aponta que as vendas avançaram 15% na última semana de junho e nos primeiros dias de julho. De novo, ventoinhas e ar-condicionados portáteis lideram a procura. O El Corte Inglés diz que as vendas dispararam em toda a gama - desde alternativas a partir de 12,95 euros até modelos bem mais caros.
Com a demanda elevada, foi preciso reforçar as equipes de instalação de ar-condicionado e, mesmo assim, há clientes esperando para colocar os aparelhos em funcionamento. A Fnac indica que o prazo médio para a execução do serviço fica entre três e quatro semanas.
Mora foi a região mais quente com 44,3 graus
O começo de julho veio forte e tingiu de vermelho e roxo o mapa dos extremos meteorológicos. O pico de temperatura teria sido registrado em Mora, no dia 3, quando os termômetros chegaram a 44,3 ºC. Ainda assim, o recorde de maior temperatura em Portugal segue com Amareleja, que em 2003 atingiu 47,3 °C. Para os próximos dias, a previsão aponta valores mais amenos; apesar disso, há aviso amarelo hoje para Guarda e Bragança.
Guias para enfrentar o calor e proteger os grupos mais vulneráveis
Reforçar hidratação
Recomenda-se beber pelo menos 1,5 litros de água por dia, mesmo sem sentir sede, reduzir a exposição ao calor entre as 11h e as 17h e ficar atento a sinais como tontura, fraqueza, dor de cabeça, desorientação ou cãibras.Sem-teto
Por ser um dos grupos mais expostos às temperaturas extremas, as autoridades recomendam intensificar as rondas nos dias mais quentes, distribuir água, sais de reidratação oral, roupas leves e chapéus, além de identificar locais com sombra e espaços de resfriamento.Álcool é inimigo
Na alimentação, a DGS desaconselha bebidas alcoólicas, açucaradas e energéticas, pois podem favorecer a desidratação.Bolsas térmicas
A orientação é transportar alimentos refrigerados em bolsas térmicas, manter perecíveis abaixo de 5 °C e consumir sobras em até dois a três dias. Também é importante não deixar comida dentro de veículos expostos ao sol.Fruta e hortaliças
Também se recomenda consumir alimentos com alto teor de água, como frutas e hortaliças, e optar por refeições leves, incluindo sopas frias.
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