O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) encaminhou uma carta formal à Ryanair para advertir a companhia sobre declarações públicas feitas por seu CEO, Michael O’Leary, a respeito da investigação do acidente com um Boeing 737-800 da Malta Air, subsidiária integral do grupo irlandês.
O acidente com o Boeing 737-800 da Malta Air
O evento aconteceu em 10 de julho de 2026, pouco depois da decolagem de Tessalônica, na Grécia. A aeronave sofreu uma falha não contida no motor direito e, em seguida, houve descompressão da cabine provocada por destroços lançados pelo motor. Como consequência, um passageiro ficou parcialmente para fora da aeronave ainda durante o voo.
A apuração é conduzida pelo NTSB, que atua como autoridade líder do caso por delegação, conforme as regras do Anexo 13 da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO).
O que Michael O’Leary disse e a reação do NTSB
No documento, assinado pela presidente do NTSB, Jennifer Homendy, a agência afirma ter tomado conhecimento das declarações de O’Leary durante a teleconferência de resultados da Ryanair, realizada em 20 de julho e acompanhada pela imprensa.
De acordo com o NTSB, o executivo afirmou que uma indicação inicial da investigação apontaria que o acidente foi causado por danos por objeto estranho (Danos por Objeto Estranho – FOD). Ele também teria descartado relação com a idade do avião ou com as condições de manutenção, citando como contraste um acidente bastante semelhante com um voo da Southwest anos atrás.
A agência norte-americana, contudo, enfatizou que nenhuma conclusão nesse sentido foi divulgada oficialmente e que seus investigadores ainda não eliminaram, como possíveis fatores contribuintes, hipóteses ligadas à idade da aeronave ou à manutenção.
Regras do Anexo 13 da ICAO e o pedido final do NTSB
O NTSB ressaltou que, conforme o Anexo 13 da ICAO, representantes credenciados e seus assessores técnicos não podem divulgar informações sobre o andamento ou conclusões de uma investigação sem autorização expressa da autoridade responsável pelo caso.
Como a Ryanair integra a investigação na condição de assessora técnica, cabe à empresa resguardar dados potencialmente vinculados ao processo investigativo e evitar sua divulgação ao público. A carta lembra que isso também não ocorreu em 2024, quando um 737 MAX da Alaska Airlines teve uma porta desprendida em voo e O’Leary comentou que também havia encontrado falhas semelhantes nos jatos MAX 200 (MAX 8) da Ryanair - informação que, segundo a agência, deveria ter sido compartilhada apenas com o NTSB.
Na avaliação do órgão, as falas de O’Leary contrariam as regras internacionais por exporem opiniões e análises sobre possíveis causas do acidente a partir de uma parte participante da investigação, além de sugerirem caminhos de apuração que seguem em andamento.
O NTSB acrescentou que comentários desse tipo podem afetar a integridade da investigação, a depender da relevância e da exatidão do que é divulgado.
Ao encerrar a carta, Jennifer Homendy pede que Michael O’Leary se abstenha de novas declarações públicas sobre o acidente enquanto a investigação estiver em curso e orienta que dúvidas sobre as restrições previstas no Anexo 13 sejam direcionadas ao investigador responsável pelo caso, Doug Brazy. O documento pode ser acessado na íntegra clicando aqui.
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