Kwan Lawrence, gerente do serviço de ônibus de transporte interno do Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson, de Atlanta (ATL), nos EUA - apontado como o aeroporto mais movimentado do mundo - moveu uma ação judicial contra a cidade de Atlanta após ter sido brutalmente agredido por uma pessoa em situação de rua ao intervir em defesa de uma motorista.
Alegações de negligência contra a cidade de Atlanta
Na ação, Lawrence atribui responsabilidade ao município por negligência, afirmando que a administração do aeroporto não adotou providências suficientes para evitar que pessoas em situação de rua associadas a práticas criminosas permanecessem nas instalações antes do ataque.
Conforme a petição protocolada no Tribunal Superior do Condado de Fulton, onde fica o aeroporto, os advogados de Lawrence dizem que o Hartsfield-Jackson enfrenta há anos um “problema significativo com pessoas em situação de rua que chegam e permanecem no aeroporto sem qualquer propósito legítimo”.
O processo também alega que essas pessoas estariam ligadas a “atividades criminosas graves nas dependências do aeroporto, incluindo numerosos ataques contra passageiros e funcionários”. Ainda segundo a ação, embora o aeroporto seja de propriedade da cidade de Atlanta, o município não tomou medidas razoáveis para impedir que esses crimes acontecessem.
A agressão no terminal principal do ATL em 11 de setembro de 2024
Lawrence estava no ATL havia apenas um mês quando foi atacado, em setembro de 2024. O episódio ocorreu em 11 de setembro de 2024, enquanto ele trabalhava no terminal principal.
De acordo com o processo, uma motorista relatou que uma pessoa em situação de rua estava dentro do ônibus e se comportava de forma “hostil” com ela e com outros passageiros. A petição afirma ainda que o homem fazia “comentários obscenos e sexualmente ameaçadores” direcionados à motorista.
Após ouvir o relato, Lawrence orientou que a motorista voltasse imediatamente ao terminal. Quando o veículo chegou, o agressor desceu inicialmente, e o gerente se colocou entre a motorista e a entrada do ônibus. Mesmo já do lado de fora, o homem seguiu com ameaças.
Ao ser avisado de que não poderia embarcar novamente, o suspeito teria ameaçado matar Lawrence e tentou retornar ao ônibus. O gerente bloqueou a entrada, e então foi violentamente atacado.
Segundo a ação, o agressor puxou uma faca, golpeou Lawrence acima do olho e fez um corte profundo em seu rosto. No confronto, o gerente também sofreu fratura no pulso direito.
Após a agressão, Lawrence foi socorrido às pressas e levado a um hospital, enquanto o agressor conseguiu fugir a pé.
Ferimentos, custos médicos e medidas adotadas depois
As lesões incluíram um ferimento por faca acima do olho, um corte profundo no nariz e a fratura no pulso direito, conforme noticiou o PYOK.
Desde então, Lawrence relata conviver com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), ansiedade e distúrbios do sono. As despesas médicas decorrentes do caso já passaram de US$ 80 mil (cerca de R$ 408 mil).
A ação sustenta que apenas após esse episódio a cidade de Atlanta instituiu uma força-tarefa para enfrentar o problema de pessoas em situação de rua nas dependências do aeroporto.
“Os réus sabiam ou deveriam saber que um número significativo de crimes violentos havia sido cometido nas dependências do aeroporto relacionados ao problema de pessoas em situação de rua permanecendo no local e praticando atividades criminosas”, afirma a ação judicial.
A defesa de Lawrence argumenta que a cidade de Atlanta foi negligente por não oferecer proteção adequada a passageiros e funcionários diante desse tipo de violência.
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