O processo criminal nos Estados Unidos contra um passageiro acusado de abuso sexual contra uma menina de 8 anos em um voo da Delta Air Lines entre a Guatemala e os Estados Unidos acabou arquivado. A decisão ocorreu depois que o Ministério Público não conseguiu levar ao julgamento a principal testemunha do caso.
O réu, identificado nos autos como C. Morales, negou as acusações e apresentou declaração de inocência. A sessão estava prevista para começar em 22 de julho de 2026.
O que teria acontecido no voo DL-1831 da Delta Air Lines
A investigação teve como ponto de partida o voo DL-1831 da Delta, realizado em 27 de agosto de 2025, entre a Cidade da Guatemala e Atlanta. Conforme documentos juntados ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Geórgia, Morales estava sentado ao lado da criança, na parte traseira do avião.
Segundo o relato da vítima às autoridades, o passageiro teria tentado, primeiro, desviar a atenção dela ao apontar para a tela de entretenimento no encosto do assento. Na sequência, ainda de acordo com o depoimento, ele teria tocado a região genital da menina por cima da roupa e, depois, colocado a mão por dentro da calça da criança.
A menina conseguiu se afastar dizendo que precisava ir ao banheiro. Assim que deixou o assento, contou o que havia ocorrido a uma comissária de bordo. A tripulação então a realocou para outro lugar pelo restante da viagem e solicitou que agentes de segurança estivessem à espera na chegada do avião em Atlanta.
Denúncia, declaração de inocência e pedido de adiamento
Morales foi denunciado formalmente em setembro de 2025 e, no mês seguinte, registrou sua declaração de inocência, segundo noticiou o PYOK.
Apesar de acusação e defesa terem comunicado ao tribunal que estavam preparadas para iniciar o julgamento, os promotores pediram o adiamento por dois meses ao constatarem que a vítima estava de férias na Guatemala e só voltaria aos Estados Unidos após a data marcada para o começo da audiência.
Determinação judicial e arquivamento do processo
A juíza federal Victoria Marie Calvert, contudo, negou o pedido de adiamento e ordenou que o governo emitisse uma intimação à vítima, além de providenciar os custos de viagem necessários para que ela comparecesse ao tribunal.
Depois, os promotores informaram que a mãe da criança entendia que o depoimento poderia ser feito por telefone. Ainda assim, de acordo com a decisão, o Ministério Público não cumpriu a determinação de intimar formalmente a vítima.
No despacho publicado em 16 de julho, a magistrada afirmou que a acusação demonstrou “falta de diligência” por não manter contato adequado com a família da vítima e por não tomar medidas para assegurar a presença dela no julgamento.
Diante dessas falhas processuais, em 17 de julho de 2026, a juíza determinou o arquivamento da denúncia contra Morales, encerrando o caso sem que o júri analisasse o mérito das acusações.
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