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Boeing conclui o último voo da certificação do 737 MAX 10

Homem com macacão verde caminha ao lado de avião branco parado na pista com laptop e prancheta no chão.

A Boeing informou hoje (28) que completou o último voo previsto da campanha de certificação do 737 MAX 10, um marco relevante no caminho para a homologação da maior variante do jato 737.

Depois de quase mil missões de ensaio e mais de 2 mil horas no ar, o programa entra agora na reta final de verificações técnicas e regulatórias com a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA). De acordo com a fabricante, a campanha se encerrou com 976 voos de teste, somando mais de 2.060 horas de voo, além de cerca de 1.040 horas de testes em solo.

Último voo de certificação do 737 MAX 10: objetivo e local

A etapa final em voo teve como foco confirmar a audibilidade do detector de fumaça dos lavatórios e do sistema de alto-falantes da cabine, assegurando que a tripulação consiga perceber e reagir corretamente aos alertas durante a operação. A aeronave decolou e pousou no Aeroporto Boeing Field, em Seattle.

O que os testes validaram no 737 MAX 10

Segundo a Boeing, os ensaios comprovaram o atendimento ao conjunto completo de requisitos exigidos para a certificação da aeronave. Entre os itens avaliados, a empresa destaca o desempenho do trem de pouso principal, os freios em pistas molhadas e as frenagens de máxima energia.

Também foi verificada a atualização do sistema de degelo dos motores (Engine Anti-Ice – EAI) e o novo sistema aprimorado de ângulo de ataque (enhanced Angle of Attack – eAoA).

Durante a campanha, três aeronaves de testes - 1G001, 1G002 e 1G003 - foram operadas em paralelo para encurtar o cronograma de ensaios. A última delas já voou com a pintura da futura operadora, a United Airlines, companhia aérea fundada originalmente pela própria Boeing no Aeroporto Boeing Field.

Atualizações EAI e eAoA: degelo e ângulo de ataque

Além da checagem dos sistemas tradicionais, os voos serviram para experimentar a atualização do sistema de degelo dos motores, criada depois que a Boeing identificou condições raras que poderiam levar ao superaquecimento sem ação dos pilotos ou mudanças no projeto.

Outro ponto de atenção foi a validação do novo sistema aprimorado de ângulo de ataque, concebido para tornar mais simples as informações exibidas aos pilotos e diminuir a incidência de alertas incorretos no cockpit.

A fabricante afirma que tanto o novo sistema de degelo quanto o eAoA serão incluídos na produção de todos os modelos da família 737 MAX e, mais adiante, também instalados nas aeronaves que já estão em operação.

Próximas etapas com a FAA e cronograma de certificação

Com os testes em voo concluídos, a Boeing passará a fechar as Revisões de Garantia de Desenvolvimento (Development Assurance Reviews – DARs), as Avaliações de Segurança dos Sistemas (System Safety Assessments – SSAs) e a encaminhar a documentação final à FAA, para a análise regulatória.

A companhia declarou que os voos de certificação estão oficialmente 100% concluídos. Sobre as atividades que ainda faltam, a terceira revisão de garantia de desenvolvimento já foi encerrada, enquanto a quarta está 60% concluída. Já as avaliações de segurança dos sistemas chegaram a 32% de conclusão. A Boeing segue projetando obter a certificação do 737 MAX 10 ainda em 2026 e começar as entregas aos clientes em 2027.

Após a certificação, os três aviões usados na campanha passarão por reconfiguração para receber o acabamento definitivo. Esse processo inclui retirar os equipamentos de testes, instalar de forma permanente a cabine, aplicar nova pintura e preparar as aeronaves para a entrega aos clientes.

A Boeing ressaltou que o encerramento dos voos de certificação é uma das últimas fases da homologação do 737 MAX 10. Em paralelo, o programa do 737 MAX 7 continua em desenvolvimento, com certificação prevista para 2026 e início das entregas em 2027.

A brasileira GOL Linhas Aéreas fez em 2018 um pedido de 30 unidades do 737 MAX 10. No entanto, após a crise relacionada aos dois acidentes com o MAX 8 e também a Pandemia, a empresa afirmou ter flexibilidade para optar entre essa variante e a menor que já opera (MAX 8). Nas estimativas mais recentes, os primeiros MAX 10 da companhia só chegariam em 2029, mas a empresa não atualiza o mercado sobre o tema há algum tempo. Já a vizinha Aerolíneas Argentinas encomendou o modelo recentemente.

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