O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) afirma que, em breve, o Aeroporto Internacional de Brasília vai desempenhar um papel bem mais amplo do que apenas receber e enviar passageiros e cargas.
A mudança é puxada pelo programa Investe+ Aeroportos, do MPor, e envolve uma reconfiguração sem precedentes do sítio aeroportuário da Capital Federal. Somados, os novos projetos voltados a lazer, comércio e logística ultrapassam R$ 1,1 bilhão em investimentos.
Investe+ Aeroportos e a transformação do Aeroporto Internacional de Brasília
O avanço em Brasília é consequência direta do Investe+ Aeroportos, iniciativa do MPor que amplia as possibilidades de uso comercial em aeroportos do país. Na prática, o programa autoriza que estados, municípios e concessionárias firmem contratos comerciais com prazos maiores, oferecendo segurança jurídica e previsibilidade para aportes privados de grande porte. No Aeroporto de Brasília, essas explorações poderão seguir até 2067.
Durante visita às obras na quarta-feira (13), o ministro do MPor, Tomé Franca, destacou: “O Investe+ Aeroportos foi criado exatamente para impulsionar novos negócios no entorno dos aeroportos, ampliando a geração de emprego, renda e desenvolvimento regional. Estamos trabalhando para que os aeroportos sejam vitrines comerciais e oportunidades para todos os brasileiros, por meio de ganhos em serviços e conveniência para a população”.
Para Rogério Coimbra, diretor comercial da Inframerica, a proposta altera a lógica tradicional do setor. “O terminal deixa de ser apenas um local de pousos e decolagens para se tornar um espaço de convivência, lazer e serviços. O Investe+ Aeroportos cria condições para atrair empreendimentos que aproximam as pessoas desse universo aeroportuário”, afirmou.
Shopping no complexo aeroportuário: empregos e nova experiência
A partir de setembro, Brasília passará a contar com um modelo de shopping center inédito no Brasil, instalado dentro do complexo aeroportuário. A construção já mobiliza cerca de 650 trabalhadores e, depois da abertura, a previsão é criar aproximadamente dois mil empregos diretos.
O vice-presidente da concessionária Inframerica, Juan Horacio Djedjeian, avaliou a novidade: “Será uma experiência totalmente nova, surpreendente e com espaços abertos. Muito diferente mesmo do que se vê em um shopping comum”.
No canteiro, o montador de gesso acartonado Nilson Jones diz que também se vê como frequentador do local no futuro. “Quero vir aqui depois para aproveitar o que construí também. Futuramente, quando eu passar aqui com minha filha, poderei dizer que participei disso, enquanto a gente toma um milk-shake ou vai ao cinema”, destacou o operário de 23 anos.
Sustentabilidade e paisagismo com espécies do Cerrado
Além do impacto econômico, o novo shopping foi planejado com foco em soluções sustentáveis. Noeli Maria, técnica ambiental que acompanha a obra, chama atenção para a diretriz adotada. “Este shopping é diferente justamente pela preocupação com o meio ambiente”, afirma.
Entre as medidas, o projeto prevê um viveiro exclusivo para espécies nativas do Cerrado, com aproximadamente três mil mudas destinadas ao paisagismo do espaço.
Estrutura, localização e data prevista de inauguração
A menos de 500 metros do terminal de passageiros, o shopping terá mais de 60 mil metros quadrados de área construída. O conjunto vai reunir mais de 130 lojas, academia de 3 mil metros quadrados, praça de alimentação, dez restaurantes e seis salas de cinema (quatro delas VIP), além de uma supertela de cinema a céu aberto. A inauguração está programada para 15 de setembro de 2026.
Outros investimentos: clube de surfe e Centro de Distribuição Logística
Para além do shopping, o complexo aeroportuário deve receber um clube de surfe com piscina de ondas, investimento de R$ 450 milhões, com anúncio previsto para breve. Também está previsto um Centro de Distribuição Logística, com aporte estimado em R$ 35 milhões, iniciativa que tende a fortalecer ainda mais o mercado de cargas da capital federal e do Centro-Oeste.
Atualmente, cerca de 60% da receita dos aeroportos brasileiros já é gerada por atividades comerciais realizadas dentro dos terminais, enquanto 40% vêm de tarifas aeroportuárias. Ao incentivar novas fontes de arrecadação, o Investe+ Aeroportos contribui para reforçar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos e ajuda a aliviar a pressão sobre o custo das passagens aéreas.
A diretora do Departamento de Outorgas, Patrimônio e Políticas Regulatórias Aeroportuárias do MPor, Clarissa Barros, contextualiza: “No mundo inteiro, os aeroportos estão se consolidando como centros de negócios e inovação. Com receitas acessórias mais robustas, os terminais conseguem reduzir custos operacionais e diminuir a pressão sobre as tarifas pagas pelos passageiros”.
Informações do MPor
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário