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Relatório preliminar do BFU revela novos detalhes sobre o Boeing 787-9 da Lufthansa em 4 de junho no Aeroporto de Frankfurt e o trem de pouso dianteiro

Técnico realiza inspeção em avião branco estacionado no pátio do aeroporto em dia claro.

Um relatório preliminar divulgado pelo Escritório Federal de Investigação de Acidentes Aeronáuticos da Alemanha (BFU) trouxe novas informações sobre o acidente com um Boeing 787-9 da Lufthansa ocorrido em 4 de junho, no Aeroporto de Frankfurt, quando o trem de pouso dianteiro recolheu de maneira inesperada enquanto a aeronave estava parada no terminal.

O episódio resultou em 23 feridos - 21 com lesões leves e dois com ferimentos graves. O avião também teve danos consideráveis depois que a seção frontal da fuselagem e as carenagens dos dois motores tocaram o piso de concreto.

Relatório preliminar do BFU sobre o Boeing 787-9 da Lufthansa

De acordo com o documento, o 787-9 pousou vindo de Austin, nos Estados Unidos, às 07h02 (UTC) e chegou ao portão A15 do Terminal 1 às 07h19. Na sequência, a aeronave passou a ser preparada para um voo de longa distância para Los Angeles, com embarque programado para 11h05 e decolagem prevista para 11h50.

No instante do acidente, estavam a bordo somente tripulantes, técnicos de manutenção e colaboradores de serviços de solo. Conforme relatado pelo comandante, 13 integrantes da tripulação entraram pela porta traseira esquerda (4L), enquanto outros 13 funcionários de atendimento em solo já executavam tarefas de limpeza e a verificação de segurança, concentrando-se sobretudo na parte traseira da cabine.

Como ocorreu o recolhimento do trem de pouso dianteiro em Frankfurt

Na cabine de comando, dois técnicos realizavam um teste voltado a solucionar uma falha ainda pendente no sistema de controle das portas do trem de pouso principal. Segundo o relatório, por falta de tempo, a manutenção elétrica não havia conseguido eliminar o problema antes de o teste ser feito.

Como etapa do procedimento descrito no Manual de Isolamento de Falhas (FIM), era necessário colocar a alavanca do trem de pouso na posição “PARA CIMA”. Logo após esse comando, por volta das 10h45 UTC, o trem de pouso dianteiro recolheu inesperadamente e a parte frontal da aeronave desceu até o solo. O choque também provocou o fechamento brusco da porta da cabine de comando e causou a interrupção do fornecimento de energia elétrica e da iluminação a bordo.

Danos, feridos e pontos em apuração

Depois do ocorrido, equipes da operadora e do serviço de combate a incêndio do aeroporto iniciaram os trabalhos para retirar a aeronave. Com a energia restabelecida, aproximadamente 60 toneladas de combustível foram drenadas dos tanques para diminuir o peso do avião.

Em seguida, a seção dianteira da fuselagem foi levantada com a ajuda de um colchão pneumático. Durante essa manobra, quando o avião atingiu cerca de dois metros de altura, o trem de pouso dianteiro estendeu-se e travou automaticamente.

Na inspeção, os investigadores verificaram que o pino de travamento do trem de pouso dianteiro - peça de segurança destinada a impedir o recolhimento acidental durante procedimentos de manutenção - não estava instalado no ponto previsto e também não foi encontrado nas proximidades do conjunto do trem. Mais tarde, o dispositivo foi localizado no compartimento de aviônicos e empregado para travar o sistema antes de a aeronave ser removida para um hangar.

O relatório ainda observa que os técnicos tinham acesso, por meio de um tablet, aos manuais de manutenção da operadora. O próprio FIM utilizado no teste indicava que, antes de movimentar a alavanca do trem de pouso, os pinos de travamento deveriam estar instalados, caso isso ainda não tivesse sido feito. O procedimento remetia ao Manual de Manutenção da Aeronave (AMM), que descreve em detalhes a instalação do dispositivo de segurança no trem de pouso dianteiro.

Por fim, o BFU enfatiza que o material publicado é preliminar e busca apresentar os fatos conhecidos até agora. A investigação continua para apurar as razões do recolhimento inesperado do trem de pouso e identificar possíveis fatores técnicos, operacionais ou humanos que tenham contribuído para o acidente. O documento pode ser acessado neste link.

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