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Airbus no Global Market Forecast (GMF) 2026-2045 prevê 42.060 novas aeronaves até 2045

Homem olhando pela janela do aeroporto com maquete de avião, laptop com gráficos e passaporte na mesa.

A Airbus apresentou a nova edição do seu Global Market Forecast (GMF) 2026-2045 e calcula que, nos próximos 20 anos, o mercado global vai demandar 42.060 aeronaves novas.

A fabricante europeia atribui essa necessidade a uma combinação de fatores: avanço da economia, maior urbanização, crescimento da classe média e o ciclo de renovação de frotas. Nesse cenário, os jatos de corredor único (single-aisle) devem dominar as entregas, respondendo por 81% do total estimado.

GMF 2026-2045: 42.060 aeronaves e predominância de single-aisle

Do volume projetado de 42.060 aeronaves até 2045, a Airbus separa a demanda em dois blocos: 22.240 unidades destinadas à expansão da frota mundial e 19.820 voltadas à substituição de aviões mais antigos.

Enquanto os single-aisle ficam com a maior fatia, os modelos de fuselagem larga (widebodies) devem representar os 19% restantes da procura prevista.

A Airbus também reforça que o tráfego aéreo tende a manter resiliência mesmo com pressões de curto prazo, como conflitos regionais e variações no preço do combustível. A expectativa é de crescimento médio anual de 3,9% no número de passageiros, sustentado por uma alta anual de 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) global, pela entrada de 1,3 bilhão de pessoas em áreas urbanas e pela ampliação da classe média no mundo.

Crescimento de passageiros, urbanização e o ritmo do Brasil até 2045

Na leitura da fabricante, até 2045 o total de passageiros transportados deverá mais do que dobrar, chegando a cerca de 10 bilhões de pessoas por ano. Nesse mesmo horizonte, o grupo de renda com maior tendência a viajar de avião deve aumentar em 1,4 bilhão de pessoas, o que corresponde a um avanço de 34%.

No recorte do Brasil, a Airbus afirma que hoje a média é de 0,5 voos por habitante e que esse indicador deve atingir 1.0 até 2045, em uma trajetória semelhante à observada para África do Sul, Colômbia, Coreia do Sul e Egito.

O estudo chama atenção, ainda, para mudanças na malha aérea global. A Airbus projeta que o impulso da urbanização será mais forte em cidades pequenas e médias, com expansão em um ritmo quase três vezes superior ao dos grandes centros. Na prática, isso tende a viabilizar novas conexões diretas entre pares de cidades antes considerados economicamente inviáveis.

Novas rotas, conectividade fora dos hubs e produção do A220 ao A350

Segundo a Airbus, aeronaves mais econômicas e com maior alcance devem ampliar a conectividade para além dos grandes hubs. Entre os exemplos citados estão rotas como Riga-Tenerife e Melbourne-Alice Springs, operadas com o A220, além de ligações mais longas como Lisboa-Recife com o A321neo, Dublin-Nashville com o A321XLR, Argel-Kuala Lumpur com o A330neo e Taipé-Phoenix com o A350.

A estratégia industrial da empresa é apresentada como alinhada a esse movimento. A Airbus diz ter uma carteira de aproximadamente 9 mil aeronaves encomendadas, o que dá sustentação à produção de toda a sua linha comercial, do A220 ao A350. Para dar conta do nível de demanda, a fabricante mantém a meta de elevar a produção da Família A320 para 75 aeronaves por mês.

A empresa acrescenta que mais de 70% do backlog atual da Família A320 está concentrado nas variantes maiores A321neo e A321XLR, vistas como adequadas para novas rotas de média e longa distância, com alta eficiência operacional. Já o A330neo e o A350 devem seguir atendendo aos mercados de maior capacidade e maior alcance, enquanto o A350 Freighter amplia presença no segmento de carga expressa.

O GMF também descreve uma mudança gradual do polo de expansão da aviação para a região Ásia-Pacífico. A Airbus aponta que economias como Índia, Vietnã, Indonésia e Malásia devem puxar o aumento da demanda, acompanhadas por mais migração internacional e por viagens para visita a familiares e amigos.

Além do crescimento do número de aviões, a fabricante projeta uma atualização tecnológica ampla no setor. Com o envelhecimento das aeronaves após a pandemia, a substituição por modelos mais novos teria sido acelerada, com foco em maior eficiência de consumo de combustível e menores emissões de dióxido de carbono (CO₂).

Como consequência, a Airbus estima que, até 2045, praticamente 100% da frota comercial mundial será formada por aeronaves de última geração. Hoje, esse índice é de aproximadamente 39%, o que evidencia o ritmo de modernização esperado para as próximas duas décadas.

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