Estudo do IISS e campanha híbrida contra a OTAN
Um levantamento recente do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) afirma haver “alta probabilidade” de que várias incursões de drones observadas na Europa entre agosto de 2024 e fevereiro de 2026 tenham sido determinadas por Moscou, inseridas numa campanha híbrida mais ampla direcionada à OTAN. Ao longo desse intervalo, foram registradas violações do espaço aéreo em treze países europeus - todos integrantes da aliança militar, com exceção da Irlanda.
Incursões de drones e a ligação com a “frota sombra” russa
A partir do cruzamento entre os registros das incursões e dados sobre embarcações associadas à chamada “frota sombra” russa, o IISS apontou navios que, em tese, poderiam ter lançado os drones ou coordenado as operações.
Entre os casos citados está o cargueiro Hav Dolphin, alvo de apurações da Alemanha e da Holanda após incursões em 2025. Segundo o estudo, ele estava fundeado em Hull, no Reino Unido, no período em que drones foram vistos sobre instalações militares em novembro de 2024. No mesmo momento, o petroleiro Seasons I navegava nas proximidades da costa sul de East Anglia, área onde ficam bases aéreas sensíveis como RAF Lakenheath e RAF Mildenhall.
Tecnologia, contexto político e ausência de acusação formal
Na época dos episódios, autoridades dos Estados Unidos indicaram que os drones exibiam recursos tecnológicos avançados, acima do que se encontra em modelos comerciais. O relatório também chama atenção para o contexto: as incursões aconteceram poucos dias depois de o então presidente Joe Biden ter autorizado a Ucrânia a empregar mísseis de longo alcance contra alvos russos.
Ainda assim, o documento enfatiza que não existe prova conclusiva da participação russa, e nenhum dos países atingidos apresentou acusações formais. Mesmo assim, pesquisadores do IISS relatam que as nações consultadas demonstraram apoio tácito à divulgação do estudo.
Questionamentos ao relatório e limites de detecção na Europa
Críticas como as do Dronewatch Europe sustentam que o relatório não traz evidências que conectem drones específicos a embarcações russas: faltariam registros de lançamentos, interceptações de sinais de comando, destroços ou imagens consideradas confiáveis. A carência de dados forenses, contudo, é compreensível, dado o difícil acesso a informações de inteligência por atores não governamentais.
O IISS também admite que fragilidades nos sistemas europeus de detecção - especialmente para acompanhar drones em baixas altitudes - podem ajudar a explicar o grande número de relatos não confirmados.
Além disso, segundo o estudo, a confusão entre drones reais e fenômenos naturais ou aeronaves comuns, já observada em investigações anteriores, pode integrar a estratégia russa: criar um cenário de ambiguidade que complique a separação entre ameaças concretas e “ruído”.
Por fim, o relatório ressalta que a estratégia europeia de combate a sistemas não tripulados (C-UAS) ainda não avançou o suficiente para responder adequadamente a esse tipo de risco, citando falhas de detecção, fragmentação das competências legais, reações desproporcionais e atribuição lenta - fatores que enfraquecem a dissuasão eficaz.
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