A Airbus quer cortar o consumo de combustível em aviões de longa distância ao observar como os gansos migratórios voam em formação. Entre setembro e outubro, a fabricante realizou um teste decisivo em parceria com companhias aéreas.
Como o Airbus Fello’fly se inspira em gansos migratórios
Em dezembro, o projeto Fello’fly da Airbus entrou numa etapa importante ao concluir uma nova fase de ensaios com Air France, Delta Air Lines, French Bee e Virgin Atlantic. Iniciado há alguns anos, o Fello’fly busca reduzir o consumo de combustível em rotas de longa distância replicando a lógica das formações de gansos migratórios.
Na prática, a proposta é fazer duas aeronaves voarem em conjunto, numa configuração semelhante à dessas aves, para que o avião que vem atrás aproveite os fluxos de ar favoráveis gerados pela aeronave líder. Com isso, o segundo avião pode diminuir o gasto de combustível.
Testes no Atlântico Norte e o “processo de rendez-vous”
Os ensaios envolveram oito aeronaves sobre o oceano Atlântico Norte, entre setembro e outubro. O objetivo foi demonstrar “que o conceito operacional é um método viável e seguro para orientar dois aviões para que se encontrem em um momento e em um local precisos (processo de rendez-vous), mantendo ao mesmo tempo uma separação vertical total e permanecendo em conformidade com a regulamentação do tráfego aéreo.”
Até agora, esse método ainda não foi aplicado em voos comerciais. Mesmo assim, a Airbus afirma que o sucesso do teste do processo de rendez-vous representa um passo relevante rumo a futuras economias de combustível.
Economias importantes
De todo modo, com essa técnica inspirada nos gansos, a Airbus poderá ajudar companhias aéreas a economizar e a reduzir ainda mais as emissões de CO2. A empresa calcula que, quando estiver operacional, o Fello’fly (iniciado em 2019) permitirá que as formações economizem até 5% em voos de longa distância.
Coordenação, software e validação com ATC
O Fello’fly, porém, exige coordenação significativa. No teste, um software desenvolvido pela Airbus precisou calcular novas trajetórias, além das instruções para os “rendez-vous”. Em seguida, essas rotas são avaliadas por “o despachante das companhias aéreas, a tripulação de voo e o controle de tráfego aéreo (ATC)” para definir se são aceitáveis do ponto de vista operacional. Do outro lado, o EUROCONTROL Innovation Hub oferece uma interface para que todos os envolvidos tenham acesso às informações ligadas às decisões.
Se tudo ocorrer como planejado, as rotas dos voos são ajustadas e as tripulações ativam uma função no cockpit que permite às aeronaves chegar ao ponto de rendez-vous no horário exato.
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