Aos pés do Monte de Santa Helena, o Vale do Varosa segue como um tesouro pouco conhecido. Saindo de Tarouca, esta área na margem esquerda do rio Douro reúne monumentos religiosos, marcas da presença romana, praias fluviais, quedas-d’água, mirantes e, claro, vinhedos. A memória dos monges de Cister continua viva: foram eles que chamaram a região de “Vale Encantado”, onde a uva e o vinho - com destaque para o espumante da região demarcada de Távora-Varosa - se tornaram grandes atrações.
Caminho milenar dos Monges de Cister
Para entender o legado da Ordem de Cister no Vale do Varosa, vale seguir pelo Caminho dos Monges, com início na aldeia de Ucanha. Integrado aos Passadiços do Varosa, o trajeto tem cerca de 41 km e origem milenar, ligando os concelhos durienses de Lamego e Tarouca entre patrimônio construído e vinhas que parecem não ter fim. São aproximadamente 20 km de trilhas em Tarouca e outros tantos na vizinha Lamego - uma proposta de viagem que atravessa espaço e tempo.
Ao longo do percurso, alguns pontos se destacam: o Mosteiro de São João de Tarouca, a Torre e Ponte Fortificada de Ucanha e o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, referências que ajudam a ler a história, a cultura e a paisagem locais. Merece atenção também a passagem pelos moinhos que, em outros tempos, eram movidos pela força da água da cascata do Poço do Inferno - uma das paradas indispensáveis no trecho tarouquense do caminho.
O Caminho dos Monges é a primeira Grande Rota pedestre diretamente associada a núcleos arquitetônicos da Ordem Monástica de Cister, situada nas regiões vinhateiras do Távora-Varosa e do Douro. Aproveite para conhecer e caminhar também pelos Varandins do Varosa, no município de Lamego.
Ucanha: berço das portagens em Portugal
Encaixada nas margens do Varosa, Ucanha - aldeia do concelho de Tarouca desde 1898 - é um convite para desacelerar e voltar no tempo. Nesta joia das Aldeias Vinhateiras, a Ponte e Torre de Ucanha surgem imponentes como guardiãs da memória, marcando o lugar onde teria nascido a tradição das portagens em Portugal e o antigo acesso ao couto monástico de Salzedas.
Ainda é possível identificar o ponto onde a cobrança era realizada, na parte mais elevada da construção fortificada: uma torre gótica que se ergue sobre o rio Varosa. Aos pés desse monumento, o ritmo muda na praia fluvial, onde águas transparentes refletem a harmonia entre a obra humana e a paisagem de vinhedos.
Mergulho no Poço do Inferno
Quem quer explorar os caminhos percorridos pelos monges de Cister no Vale do Varosa pode optar pelo PR3 de Tarouca: um percurso circular de 17 km que leva até a queda-d’água do Poço do Inferno. Nos dias quentes, dá para entrar na água - e a ideia é justamente se deixar envolver pela frescura da cascata. A rota sai de Tarouca em direção à história das antigas passagens religiosas, cruza pontes românicas que ligam São João de Tarouca a Mondim da Beira, apresenta moinhos de água acionados pelo Varosa (próximos ao Poço do Inferno) e passa pelo monumento funerário dos Arcos da Paradela.
Para uma experiência rural mais curta, o PR1 Tarouca (circular, 6 km) começa no Morro de Alcácima, com vista aberta sobre a cidade. O caminho serpenteia por trilhas discretas, passa pelo Bairro de São Pedro e pelo Senhor do Monte e termina com perspectiva para o novo Parque Ribeirinho.
Já o PR2 Vale do Varosa (13 km) coloca o visitante diante das paisagens mais elevadas do concelho. Entre a aldeia típica de Teixelo - com seus canastros tradicionais (também conhecidos como espigueiros) - e o Miradouro da Senhora de Fátima, em Vilarinho, cada trecho convida a contemplar a imponência do vale. Para percursos guiados, contate a empresa Caminhando (Tel.: 966589269).
Praia Fluvial de Mondim da Beira
A Praia Fluvial de Mondim da Beira, ao lado da icônica ponte românica do século XIV, é parada obrigatória tanto no PR3 quanto no Caminho dos Monges. Se o Caminho dos Monges remete a uma rota de trabalho e espiritualidade da ordem monástica, a praia fluvial aproveita o mesmo recurso natural (o rio) e o mesmo patrimônio (a ponte e os moinhos) para criar momentos de lazer dentro desse mesmo contexto histórico. Tudo se encontra no cenário do Vale do Varosa, amplo em beleza paisagística, valioso para as populações e fonte de bem-estar para todos.
Vale fazer uma pausa na Praia Fluvial de Mondim da Beira para curtir os passadiços e a área de lazer, cercada por uma natureza exuberante e carregada de história. Há ainda o atrativo de a praia fluvial ficar abrigada pela Ponte Românica, situada na antiga via medieval que ligava Mondim da Beira a São João de Tarouca. O local tem infraestrutura completa para banhistas e, no verão, é difícil resistir a um mergulho no Varosa refrescante.
Dois parques em diferentes altitudes
Em Tarouca, o tempo livre se divide entre a brisa fresca do vale e o visual do alto do morro. O Parque Ribeirinho fica na parte baixa da cidade e acompanha as margens dos rios Varosela e Torno, ao longo de 7,5 hectares.
O percurso começa no Castanheiro do Ouro, onde se esconde uma ponte antiga - a Ponte Pedrinha. Com área equivalente a sete campos de futebol, o parque se consolidou como um dos passeios preferidos de muitos tarouquenses. O acesso pela Avenida Dr. Sá Carneiro leva a este corredor verde que atrai famílias e praticantes de esporte, com circuitos de manutenção, quadras, minigolfe, pista de skate e piscinas com vigilância; também permite a prática de caiaque.
No alto, o Parque Natural de Alcácima “coroa” a cidade a partir de um morro ao norte do centro. Instalado onde existiu um castelo medieval - do qual permanecem o pelourinho e o escudo de armas -, este mirante de 360º convida à contemplação e ao contato com a natureza. Além da Capela dos Prazeres e de um jardim sensorial, o espaço oferece horta orgânica, academia ao ar livre e áreas de observação de aves, sendo um refúgio para quem busca tranquilidade.
Miradouros sem fim
Por conta do relevo montanhoso, o concelho de Tarouca revela inúmeros pontos de observação para apreciar as paisagens que definem a região.
O Monte de Santa Helena, elevado sobre o Vale do Varosa, se equilibra na serra de Montemuro diante de uma vista ampla. É parada obrigatória para quem quer um panorama surpreendente de todo o vale e das serras ao redor. Em clima bucólico, há um parque de merendas. Também é possível praticar parapente, escalada e outros esportes radicais.
No Miradouro do Cristo Rei de Tarouca, além da vista para a Serra de Montemuro, há o famoso balanço do Cristo Rei, bem “instagramável”, e espaço para piqueniques. Já no Miradouro de Padiola, o olhar alcança a cidade de Tarouca e os montes, caminhos e florestas do entorno. No já mencionado Miradouro do Morro da Alcácima, a recompensa é a panorâmica sobre a cidade, com visita à igreja e à horta orgânica, além da observação de diferentes espécies de aves.
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