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Unither Bioélectronique realiza primeiro voo em circuito de helicóptero elétrico movido a hidrogênio com piloto

Helicóptero branco e azul voando sobre prédios e um rio sob céu claro com poucas nuvens.

Voo em circuito reconhecido pela CAAM

A canadense Unither Bioélectronique (UB) afirma ter alcançado o que descreve como o primeiro voo em circuito, no mundo, de um helicóptero elétrico movido a hidrogênio com piloto a bordo.

A prova ocorreu em 10 de abril de 2026, no Aeroporto Roland-Désourdy, em Bromont, na província de Quebec, no Canadá. A operação recebeu reconhecimento oficial da Associação Canadense de Mobilidade Aérea Avançada (CAAM), entidade nacional ligada ao setor de mobilidade aérea avançada.

Diferentemente de demonstrações anteriores limitadas ao voo pairado, desta vez a aeronave completou um circuito completo de tráfego aeroportuário, com decolagem controlada, subida, voo no padrão de circuito, aproximação e pouso.

O voo foi executado sob autorização experimental e teve como foco principal demonstrar e analisar o desempenho da propulsão híbrida hidrogênio-elétrica em um cenário operacional real, com piloto a bordo.

Propulsão híbrida no Robinson R44 com hidrogênio verde

A missão foi conduzida pelo piloto de testes Ric Webb, em um helicóptero Robinson R44 modificado. A adaptação emprega uma arquitetura híbrida que combina uma célula a combustível de hidrogênio do tipo PEM (Membrana de Troca de Prótons) com uma bateria elétrica.

Para o teste, a aeronave foi abastecida com hidrogênio verde produzido localmente.

Project Proticity e evolução para o Robinson R66

De acordo com a Unither Bioélectronique, o resultado marca mais um passo do Project Proticity, programa de desenvolvimento de helicópteros de emissão zero conduzido pela empresa em colaboração com a Robinson Helicopter Company.

O trabalho parte dos helicópteros Robinson R44 e R66. Conforme a empresa, o próximo estágio previsto é levar a tecnologia à plataforma Robinson R66, apontada como mais robusta e com maior capacidade operacional.

Antecedentes dos testes e validação da tecnologia PEM para VTOL

O novo marco sucede conquistas divulgadas pela UB em março de 2025, quando a companhia declarou ter realizado o primeiro voo de demonstração, no mundo, de um helicóptero pilotado movido a hidrogênio, além do primeiro voo desse tipo em território canadense.

Na mesma ocasião, também foi validado o uso de células a combustível PEM para atender às altas demandas energéticas de aeronaves de decolagem e pouso vertical (VTOL).

Parceria, certificações e foco em logística de órgãos

A colaboração entre a Unither Bioélectronique e a Robinson Helicopter Company foi anunciada em agosto de 2024. A Robinson, sediada em Torrance, na Califórnia, oferece suporte técnico, engenharia e apoio regulatório ao programa, enquanto a UB amplia os testes com vistas a futuras certificações junto à Aviação Civil do Canadá e à Administração Federal de Aviação (FAA), dos Estados Unidos.

Segundo Mikaël Cardinal, vice-presidente de Gestão de Programas e Desenvolvimento de Negócios da divisão Sistemas de Entrega de Órgãos da Unither Bioélectronique, o resultado indica que a tecnologia está se aproximando de usos concretos.

Este marco mostra que o voo vertical pilotado com propulsão hidrogênio-elétrica pode sair da teoria e avançar para testes reais, seguros e repetíveis”, afirmou. “O objetivo da Unither é desenvolver aeronaves e sistemas logísticos aéreos capazes de apoiar a entrega de órgãos artificiais fabricados para pacientes, ao mesmo tempo em que cria uma rede de transporte escalável e de emissão zero.

A empresa acrescenta que o projeto segue alinhado à estratégia de sustentabilidade da controladora United Therapeutics, que busca estruturar uma cadeia logística integrada para transportar órgãos artificiais produzidos industrialmente, diminuindo o impacto ambiental quando comparado aos meios tradicionais de transporte.

A Unither também declarou que sua plataforma tecnológica já prevê aplicações futuras com hidrogênio líquido, considerado essencial para aumentar alcance e capacidade de carga em missões de saúde, resposta a emergências e logística regional.

Para a CAAM, o avanço é um marco relevante para o setor aeroespacial canadense. O diretor executivo da entidade, JR Hammond, disse que o voo evidencia que a aviação a hidrogênio deixou de ser apenas uma ideia.

O voo com hidrogênio já não é uma ideia distante em um roteiro de desenvolvimento. Ele está voando, realizando circuitos, sendo testado, aperfeiçoado e incorporado a aplicações voltadas para saúde, resposta a emergências e logística regional“, declarou.

Hammond completou que a atuação da CAAM será dar suporte à construção do ecossistema necessário para escalar a tecnologia, contemplando regulamentação, infraestrutura, investimentos e confiança pública.

Com a ampliação dos ensaios, a Unither Bioélectronique aproxima helicópteros elétricos movidos a hidrogênio de um programa de testes mais amplo e contínuo, reforçando ainda a posição do Canadá como possível centro de desenvolvimento e validação de tecnologias de aviação limpa para futuras aplicações em saúde, logística e serviços de emergência.

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