Io, a lua mais vulcânica do Sistema Solar
A lua Io, que orbita Júpiter, é considerada o corpo mais vulcânico de todo o Sistema Solar.
Nos últimos dois anos, a sonda Juno, da NASA, vem passando cada vez mais perto de Io - o que nos rendeu as primeiras imagens em close da lua em 25 anos.
Imagens recentes da JunoCam e o novo vulcão em Io
Registos recentes da JunoCam mostram um vulcão novo, que surgiu em algum momento depois de a sonda Galileo ter observado a área.
Essa nova estrutura vulcânica fica logo ao sul do equador de Io. Como a atividade vulcânica da lua é alimentada pelo aquecimento de maré provocado por Júpiter, a maior parte dos vulcões se concentra na faixa equatorial - em torno de 30 graus ao norte e ao sul do equador.
Quando a Galileo fotografou a região onde agora aparece o novo vulcão, em 1997, a superfície parecia não ter características marcantes.
O vulcão recém-identificado está perto de um vulcão já conhecido, chamado Kanehekili. Uma imagem da JunoCam de abril de 2024 revelou vários fluxos de lava e depósitos vulcânicos, recobrindo uma área de aproximadamente 180 km por 180 km.
"Nossas imagens recentes da JunoCam mostram muitas mudanças em Io, incluindo essa grande e complexa feição vulcânica que parece ter se formado do nada desde 1997", disse Michael Ravine.
Ravine é o gerente de Projetos Avançados na Malin Space Science Systems, empresa que construiu e opera a JunoCam para a missão Juno da NASA.
Por que Io é tão vulcânica: aquecimento de maré de Júpiter
É claro que esse vulcão não surgiu literalmente do nada - Io está numa situação orbital extremamente exigente.
A fricção de maré gerada pelo gigantesco Júpiter (e também, em menor grau, pela lua Europa) se dissipa em Io na forma de energia orbital e calor. Em luas "irmãs" com oceanos, como Europa, Ganimedes e Calisto, esse calor ajuda a manter os oceanos subterrâneos no estado líquido.
Io, porém, não tem um oceano. Assim, a energia térmica favorece a ascensão do magma, que rompe a superfície por meio de вулcões. Estima-se que Io tenha mais de 400 vulcões ativos, e o terreno é coberto por compostos de enxofre oriundos das erupções - substâncias que também explicam as cores da lua.
A melhor imagem da JunoCam dessa região e do novo vulcão foi feita em 3 de fevereiro de 2024, a uma distância de cerca de 2,530 km. A escala é de aproximadamente 1.7 km por pixel. Nessa imagem, Io aparece iluminada pela luz do Sol refletida em Júpiter.
Perguntas em aberto sobre o interior e as erupções de Io
Apesar desses avanços, ainda existem muitas questões sem resposta sobre Io, o seu vulcanismo e a composição do seu interior.
Os cientistas já sabem que o aquecimento de maré causado por Júpiter é a principal fonte de calor da lua, mas não têm certeza sobre como essa energia se distribui internamente. Também permanece incerto o tamanho e a extensão do suposto oceano de magma de Io.
Outra dúvida central é o que desencadeia as erupções e o que determina os diferentes tipos de eventos, como plumas, fluxos de lava e fluxos piroclásticos.
Também não está totalmente esclarecido como foi a história vulcânica de Io e com que frequência a superfície é remodelada. Não há crateras de impacto em Io, o que sugere que o terreno exposto deve ser jovem.
Pesquisadores ainda querem entender de que modo os gases libertados nas erupções podem alterar a superfície e a atmosfera extremamente rarefeita da lua. A atividade vulcânica de Io provavelmente variou ao longo do tempo - mas como essa mudança ocorre e o que a controla continuam a ser incógnitas.
Responder a essas perguntas não ajuda apenas a compreender Io: esse conhecimento pode esclarecer processos que atuam em outros planetas rochosos também.
O que a Juno ainda pode (e não pode) responder
A identificação de um novo vulcão em Io pela Juno é um achado relevante, e as observações da missão representam uma contribuição valiosa para o conhecimento acumulado sobre a lua. Ainda assim, a Juno não deve fornecer as respostas aprofundadas que os cientistas procuram.
A nave ainda fará mais sobrevoos de Io no futuro, com o último previsto para 2025. Infelizmente, as passagens acontecerão a distâncias maiores, e a derradeira ocorrerá a 94,000 km.
Essas imagens também sublinham um aspecto importante da missão. A JunoCam, estritamente falando, não é um instrumento científico: ela foi incluída pensando no público, e as imagens ficam disponíveis gratuitamente para qualquer pessoa analisar e publicar.
Ao revelar esse novo vulcão, a JunoCam acabou por demonstrar, na prática, o seu valor científico.
Este artigo foi publicado originalmente pela Universe Today. Leia o artigo original.
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