O episódio com um Embraer E195 da Marathon Airlines, em operação para a Air Serbia, no aeroporto de Belgrado, foi analisado em um relatório final que atribuiu a ultrapassagem do fim da pista durante a decolagem principalmente a falhas operacionais da tripulação.
O voo JU-324, em 18 de fevereiro de 2024, transportava 106 ocupantes quando enfrentou dificuldades relevantes ao iniciar a corrida de decolagem na pista 30L, a partir de uma interseção inadequada.
Apesar de a aeronave ter conseguido sair do chão, ela ultrapassou o limite da pista, atingiu equipamentos do Sistema de Pouso por Instrumentos (ILS) e sofreu danos estruturais significativos - felizmente sem registro de feridos.
O que ocorreu no voo JU-324 em Belgrado
Segundo o documento publicado em 26 de junho de 2026, o planejamento original da tripulação era decolar pela interseção D6, com todos os cálculos de desempenho feitos corretamente para aquele ponto.
No entanto, durante o táxi, o avião acessou a pista pela interseção D5, que disponibilizava apenas 1.273 metros de distância total disponível para decolagem (TODA).
Embraer E195: decisão na interseção D5 e erros de desempenho (EFB/FMS)
Ao perceber o equívoco, o controlador avisou os pilotos e sugeriu retornar à posição correta. Ainda assim, a decisão tomada foi permanecer na D5 e refazer rapidamente os parâmetros na bolsa eletrônica de voo (EFB).
Nesse processo, a equipe inseriu dados incorretos, inclusive a direção da pista, e não atualizou as configurações no sistema de gerenciamento de voo (FMS). Com isso, permaneceram ajustes inadequados, como potência FLEX 33 e flapes na posição 1, quando o apropriado seria potência TO1 e flapes na posição 4.
A combinação desses fatores levou a aceleração insuficiente, rotação tardia e baixa razão de subida. A aeronave avançou além do final da pista, percorreu centenas de metros após o pavimento e colidiu principalmente com a antena de monitoramento do ILS, localizada a cerca de 145 metros do término da pista.
Impacto, danos e conclusão dos investigadores
Indícios reunidos na investigação apontam que o trem de pouso principal permaneceu em contato com o solo por boa parte desse percurso, gerando vibrações intensas na estrutura, além de um toque de cauda registrado na fuselagem traseira.
Depois de ganhar altitude, os pilotos perceberam múltiplas falhas de sistemas, incluindo problemas nos flapes e no sistema pneumático, e declararam emergência para retornar e pousar em Belgrado. No solo, as equipes constataram vazamento de combustível na asa esquerda, decorrente dos danos sofridos.
Os investigadores determinaram que a causa direta do acidente foi a tentativa de decolar de uma interseção sem comprimento de pista suficiente para uma decolagem segura. Como fatores contribuintes, o relatório cita falhas de comunicação da tripulação durante o táxi, erros na inserção de dados no EFB e no software de desempenho, além da ausência de atualização do FMS e das configurações incorretas da aeronave.
Uma análise técnica indicou que, para a distância disponível na interseção D5, o peso máximo permitido para decolagem do E195 seria de aproximadamente 34,4 toneladas, enquanto a aeronave estava com cerca de 45,7 toneladas, quase 11 toneladas acima do limite seguro. Na prática, seria necessário ao menos 1.440 metros para decolar com segurança, distância maior do que a oferecida pela interseção utilizada.
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