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Campanha do MPor, Anac, ABR e Abear alerta para a soltura de balões nas festas juninas

Pai e filho soltam pipa de balão colorido em área externa com bandeirinhas e avião ao fundo.

Festejos juninos e o risco da soltura de balões

Durante as festas juninas, costumes e celebrações se espalham por todo o país. Ainda assim, uma prática que continua associada a esse período segue como uma séria ameaça à segurança pública: a soltura de balões.

Para chamar a atenção da população sobre os perigos dessa atividade ilegal, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Aeroportos do Brasil (ABR) e a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) colocaram no ar uma campanha nacional de conscientização.

De acordo com o MPor, o recado é objetivo: depois que um balão é solto, ninguém consegue controlar para onde ele vai. Carregado pelo vento, pode atingir casas, escolas, hospitais, áreas de vegetação, redes elétricas e até rotas de aeronaves - e o que parece “brincadeira” pode terminar em incêndios, acidentes e tragédias.

Ocorrências em alta e impactos nas rotas de aeronaves

Os registros dessas ocorrências vêm crescendo nos últimos anos. Em 2024, houve 425 avistamentos de balões nas proximidades de aeroportos e em rotas aéreas. Em 2025, o total subiu para 728. Só nos cinco primeiros meses de 2026, já foram contabilizadas 206 ocorrências.

Na aviação, a preocupação é ainda maior. Balões podem entrar em áreas próximas a aeroportos, cruzar trajetórias de pouso e decolagem e até levar à interrupção de operações aeroportuárias. Também são um risco direto para as aeronaves, com possibilidade de causar danos e exigir inspeções imediatas.

Além das consequências para o transporte aéreo, quando balões caem eles podem iniciar incêndios em áreas urbanas e ambientais, ameaçando comunidades inteiras e gerando prejuízos relevantes.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, ampliar a consciência da população é decisivo para proteger a todos. “A soltura de balões é uma brincadeira perigosa. É uma prática que coloca em risco passageiros, profissionais da aviação e comunidades inteiras. Queremos mobilizar a sociedade para prevenir acidentes”, afirma.

O diretor-presidente da Anac, Tiago Faierstein, também reforça que evitar o problema é a melhor forma de manter a segurança. “A aviação opera com protocolos rigorosos, mas a presença de balões cria um risco externo capaz de afetar diretamente as operações. A participação da sociedade é indispensável para evitar acidentes e preservar vidas.

Prática criminosa, como denunciar e a diferença para o balonismo

Prática criminosa – A soltura de balões é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), com pena de detenção de um a três anos e multa. A depender do caso, os responsáveis ainda podem responder por crimes ligados à segurança da aviação civil.

O diretor-executivo da ABR, Tiago Bonvini, reforça o aviso. “Não existe balão inofensivo quando se trata da segurança da aviação. Além de configurar crime previsto na legislação brasileira, a soltura de balões pode comprometer operações aeroportuárias, provocar atrasos, interdições e expor milhares de pessoas a riscos desnecessários. Um único balão é capaz de gerar impactos significativos para a segurança operacional. Por isso, a conscientização da população é fundamental para preservar a segurança dos voos, das cidades e das pessoas.

Denúncia – Ao presenciar a soltura de balões, a orientação é acionar imediatamente os canais policiais, como o 190 da Polícia Militar, os serviços de disque-denúncia locais ou o Portal Único de Notificação.

Segundo o presidente da Abear, Juliano Noman, combater essa prática depende do envolvimento coletivo. “A presença de balões em áreas próximas a aeroportos e rotas de aeronaves pode afetar as operações, causando atrasos, cancelamentos de voos e prejuízos aos passageiros. A segurança do transporte aéreo é um valor inegociável para as companhias, e todos os esforços devem ser feitos para inibir ocorrências desse tipo e garantir operações seguras.

A campanha retoma um alerta simples, porém crucial: quem solta um balão perde o controle do destino dele, mas os riscos continuam existindo. Manter tradições jamais pode significar colocar vidas em perigo.

Balonismo x balões juninos – O MPor destaca que é essencial distinguir a soltura ilegal de balões do balonismo, uma atividade turística e esportiva regulamentada no Brasil. Enquanto balões juninos são lançados sem controle de trajetória e, com frequência, utilizam chamas capazes de iniciar incêndios, os voos de balão tripulado obedecem a normas específicas de segurança, têm planejamento prévio, contam com pilotos capacitados e exigem autorizações operacionais.

A iniciativa é voltada exclusivamente para a soltura irregular de balões não tripulados, prática que traz riscos para a aviação, o meio ambiente e a população.

Informações do Ministério de Portos e Aeroportos

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