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ATI Jet (Jetvia) processa a Pratt & Whitney Canada por falhas no suporte de motores

Homem assinando documentos em hangar ao lado de jato particular com placa "Out of Service" na porta aberta.

Processo da ATI Jet (Jetvia) contra a Pratt & Whitney Canada

A ATI Jet, também conhecida como Jetvia, abriu uma ação judicial contra a Pratt & Whitney Canada (P&WC). No processo, a operadora sustenta que o fabricante de motores deixou de cumprir deveres contratuais ligados a suporte e manutenção.

De acordo com a petição, as supostas falhas teriam provocado longos períodos de aeronaves paradas e prejuízos relevantes nas operações de voos charter.

Conforme noticiado pelo CH-Aviation, o caso foi protocolado no Tribunal Distrital do Oeste do Texas, nos Estados Unidos, e havia sido inicialmente divulgado pela Private Jet Card Comparisons.

Alegações sobre o Eagle Service Plan (ESP) e o acordo de 2025

Na queixa, a ATI Jet afirma que a P&WC descumpriu acordos de serviço de motores de longo prazo, conhecidos como Eagle Service Plan (ESP). A empresa também acusa a fabricante de ter levado a ATI Jet a assinar um acordo em 2025 com base em informações falsas, de não revelar a real disponibilidade de motores substitutos e de impor atrasos excessivos na execução de serviços de manutenção.

A operadora declara ter pago mais de US$ 20 milhões em taxas horárias associadas ao programa, somando desembolsos que ultrapassam US$ 30 milhões. Em troca, esperava cobertura integral de manutenção e acesso a motores alugados sempre que uma retirada coberta excedesse dez dias.

Nos pedidos, a ATI Jet busca créditos vinculados ao programa, indenizações compensatórias e punitivas, o cancelamento do acordo de 2025, a rescisão de diversos contratos ESP e o reembolso de custos legais. O valor total pleiteado não foi informado.

Frota Part 135 e os motores dos Learjet 60

A frota da ATI Jet, certificada conforme o Part 135, conta com 28 aeronaves Learjet. A empresa afirma que a maior parte de seus Learjet 60 opera com motores PW305 e que esses motores estão inscritos no programa Gold Plan ESP da P&WC desde 2016.

Após interrupções operacionais prolongadas, ATI Jet e P&WC fecharam um acordo em 2025. Na ocasião, segundo a ação, a fabricante atribuiu a escassez de motores alugados a limitações operacionais e a problemas na cadeia de suprimentos. Agora, a ATI Jet contesta essa versão, alegando que havia motores disponíveis, mas que eles teriam sido retidos por decisões internas - o que, na visão da empresa, tornaria o acordo fraudulento.

Estoque de motores alugados, recusas e atrasos de manutenção

A ação afirma que a P&WC mantém um estoque de cerca de 12 motores alugados para dar suporte a mais de 800 motores de Learjet 60 ao redor do mundo, embora análises internas apontassem a necessidade de uma quantidade maior.

Além disso, a petição diz que a P&WC teria se recusado a aceitar motores adicionais fornecidos pela Aircraft Parts Solutions (APS). Segundo o relato, a APS entregou 18 unidades antes de os motores 19 e 20 serem rejeitados sob a justificativa de excesso de capacidade, apesar de a escassez permanecer constante.

A ATI Jet também alega que executivos da P&WC teriam retido deliberadamente motores alugados para evitar que outros clientes criassem precedentes, valendo-se de cláusulas contratuais que condicionariam a disponibilidade para negar solicitações mesmo quando existia capacidade.

Ainda de acordo com o processo, ocorreram atrasos fora do padrão em manutenções. Um exemplo citado é uma revisão de motor que teria levado 806 dias, bem acima do prazo estimado de 60 a 90 dias, além de outros motores que permaneceriam por longos períodos em instalações da P&WC.

A empresa afirma que esses atrasos a obrigaram a comprar três motores no mercado aberto por cerca de US$ 2,5 milhões para sustentar as operações. O caso também atribui às paralisações prejuízos financeiros e danos reputacionais, devido à queda de confiabilidade.

Por sua vez, a P&WC apresentou um pedido para rejeitar a ação e transferir a jurisdição para o Canadá.

O processo é descrito como alinhado a um precedente semelhante envolvendo a Flexjet e a Honeywell Aviation Services, encerrado em 2026 com indenizações superiores a US$ 1 bilhão. O escritório Quinn Emanuel, que atuou na defesa da Flexjet, integra hoje a equipe jurídica da ATI Jet.

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