A Ryanair solicitou que a União Europeia interrompa de forma provisória, até setembro, a aplicação do sistema biométrico de controle de entrada e saída (EES). Segundo a companhia, as filas geradas pelo novo procedimento já estão provocando atrasos relevantes nos aeroportos europeus em plena alta temporada de viagens.
O pedido veio após a ACI Europe, entidade que representa aeroportos do continente, afirmar que as esperas no controle de passaportes já passaram de cinco horas em alguns terminais.
Pedido da Ryanair à União Europeia sobre o EES
O EES entrou em operação plena em abril e passou a padronizar o controle de fronteiras em 29 países europeus. Na prática, o sistema substitui o antigo carimbo no passaporte e permite acompanhar o tempo de permanência de cidadãos de países terceiros no território da UE.
Mesmo com alertas do setor aéreo sobre a chance de atrasos e cancelamentos, a UE seguiu adiante com a implementação. O resultado, segundo a Ryanair, tem sido confusão operacional e formação de filas extensas.
A empresa descreveu o quadro como um “pesadelo para os viajantes” e afirmou que o modelo não estaria dimensionado para o volume elevado típico do verão europeu.
Neal McMahon, diretor de operações da companhia, disse que passageiros e famílias não deveriam ser usados como “cobaias” de um sistema ainda incompleto, que aumenta o estresse e leva à perda de voos.
Por que o sistema biométrico de controle de entrada e saída (EES) está atrasando o fluxo
Para viajantes sem passaporte europeu, o EES exige o cadastro de dados biométricos - como impressões digitais e fotografia do rosto - antes da entrada. Esse registro tem se mostrado mais demorado do que o procedimento anterior.
As filas, de acordo com o cenário descrito, se explicam principalmente por três fatores: o tempo necessário para capturar a biometria, a quantidade insuficiente de quiosques nos aeroportos durante horários de pico e a etapa final que ainda depende de atendimento presencial para a liberação por agentes de imigração.
Como funciona o EES e quem é afetado
As regras atingem cidadãos de países terceiros, isto é, pessoas que não pertencem à União Europeia, Islândia, Liechtenstein, Noruega ou Suíça. Nesse grupo estão viajantes de países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália.
O procedimento prevê que esses passageiros façam o registro em quiosques de autoatendimento, que capturam foto facial e/ou impressões digitais, antes de seguirem para a autorização final com a imigração. A expectativa inicial era que o uso de portões automatizados ajudasse a acelerar a entrada, porém a UE ainda não colocou essa etapa em prática de maneira ampla.
Medidas temporárias e situação em países europeus
Diante do impacto nas filas, medidas mais flexíveis passaram a ser adotadas, permitindo que governos suspendam temporariamente a coleta biométrica para destravar o fluxo de passageiros.
Alguns países, como a Grécia, já interromperam o EES de forma provisória. Em contrapartida, segundo a Ryanair, a pressão segue elevada em destinos como Espanha, Itália e França.
A companhia também tem sido alvo de críticas por não esperar passageiros retidos em filas prolongadas, embora recomende que seus clientes cheguem com antecedência para reduzir o risco de transtornos.
Objetivo do EES nas fronteiras
O EES foi desenhado para reforçar a segurança nas fronteiras: facilitar a identificação de pessoas em situação de permanência irregular e evitar a entrada de criminosos.
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