Pular para o conteúdo

OTAN deve escolher o GlobalEye da Saab para substituir o Boeing E-3 Sentry

Avião militar AWACS estacionado em pista com piloto segurando tablet e tocando a aeronave.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) está a caminho de oficializar a escolha do sistema GlobalEye, da sueca Saab, como substituto futuro da sua frota de aeronaves de alerta aéreo antecipado e controle Boeing E-3 Sentry (AEW&C), segundo informações divulgadas pela agência Reuters com base em quatro fontes a par do processo.

Anúncio esperado e programa AFSC

De acordo com a Reuters, a confirmação deverá ser feita durante a reunião dos ministros da Defesa da OTAN, marcada para 7 e 8 de julho, em Ancara, na Turquia. Procuradas pela agência, nem a Aliança nem a Saab se pronunciaram oficialmente.

Se a decisão for confirmada, ela reforça os rumores que circulam há meses sobre a seleção do GlobalEye no âmbito do programa Alliance Future Surveillance and Control (AFSC), criado para substituir a frota atual de 14 E-3 Sentry operada pela OTAN a partir da Base Aérea de Geilenkirchen, na Alemanha.

Mudança de cenário com o E-7 Wedgetail em 2025

A eventual opção pelo GlobalEye fecha um ciclo que ganhou outro rumo em 2025, quando os Estados Unidos cancelaram a compra prevista de 26 Boeing E-7 Wedgetail para a Força Aérea americana. Com isso, perdeu força o esforço conjunto promovido pela OTAN para incorporar seis E-7 como substitutos dos AWACS, já que o cancelamento elevou os custos unitários do sistema e reduziu de forma relevante a viabilidade da solução para os aliados europeus.

Embora o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, tenha indicado posteriormente ao Congresso a intenção do Pentágono de voltar a incluir o E-7 no orçamento de defesa, as fontes ouvidas pela Reuters afirmam que a Aliança seguiu adiante com a proposta apresentada pela Saab.

GlobalEye da Saab e a nova vigilância aérea da OTAN

Se o contrato se concretizar, ele também marcará o encerramento de mais de quatro décadas de predominância da Boeing como fornecedora das plataformas AEW&C da OTAN - posição que a empresa mantém desde a entrada em serviço dos primeiros E-3, em 1982, conforme destaca o portal Aviacionline, parceiro do AEROIN.

Desenvolvido sobre a plataforma executiva Bombardier Global 6500, o GlobalEye integra o radar de varredura eletrônica ativa Erieye ER a sensores de vigilância marítima, recursos de inteligência eletrônica e capacidades ISR multidomínio, oferecendo uma arquitetura de sensores descrita como mais flexível do que a aplicada nos atuais E-3.

Em vez do radar tradicional em rotodomo (disco giratório) montado sobre a fuselagem dos AWACS, a proposta da Saab emprega uma antena fixa de longo alcance, apoiada por múltiplos sensores. Esse conjunto permite detectar e acompanhar simultaneamente alvos aéreos, marítimos e terrestres.

A configuração está alinhada com a evolução doutrinária da OTAN em direção a operações multidomínio, nas quais a superioridade informacional depende cada vez mais da integração de sensores distribuídos e da fusão de dados oriundos do ar, do espaço, do domínio marítimo e do ciberespaço. As mesmas fontes citadas pela Reuters também apontaram que a Base Aérea de Geilenkirchen, na Alemanha, pode vir a tornar-se a principal base operacional da futura frota de GlobalEye da Aliança.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário