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CAA emite alerta de segurança sobre pousos após aproximações instáveis no Reino Unido

Dois pilotos em uniforme operando controles na cabine de comando de um avião durante a decolagem.

A Civil Aviation Authority (CAA), autoridade de aviação civil do Reino Unido, publicou um alerta de segurança depois de constatar aumento de pousos realizados mesmo quando a aproximação já não cumpre os critérios de estabilidade.

Alerta da Civil Aviation Authority (CAA) sobre aproximações instáveis

De acordo com o comunicado, a leitura de relatórios de ocorrências e de dados operacionais encaminhados pelas companhias aéreas mostrou que, embora muitas aproximações instáveis terminem sem qualquer incidente, optar por continuar até o pouso pode alimentar uma sensação enganosa de controlo.

A CAA destaca que essa conduta é apontada como um dos principais fatores de risco na etapa final do voo e tem potencial para elevar de forma relevante a probabilidade de acidentes.

Risco multiplicado e eventos mais frequentes

Indicadores citados no alerta sugerem que pousar após uma aproximação instável aumenta o risco de acontecimentos adversos em até 80 a 100 vezes quando comparado a aproximações estabilizadas ou a arremetidas executadas no momento adequado.

Entre os desfechos mais comuns associados a esse cenário estão:

  • pousos duros;
  • toque da cauda na pista (tail strike);
  • pousos longos;
  • excursões de pista;
  • danos estruturais na aeronave.

O que caracteriza uma aproximação estabilizada e quando arremeter

A aproximação estabilizada é tratada como um dos pilares da segurança operacional. Para ser considerada estabilizada, a aeronave precisa estar, antes de uma altitude previamente definida, dentro de parâmetros determinados de velocidade, razão de descida, configuração, potência e alinhamento com a pista.

Quando qualquer um desses critérios não é atendido, a recomendação internacional é clara: realizar arremetida imediata.

Pressões operacionais não justificam manter o pouso

A CAA lembra que o comandante conserva autoridade para prosseguir em circunstâncias excecionais - por exemplo, quando arremeter representaria um risco maior -, mas reforça que essas situações devem ser raras e sustentadas por uma justificação consistente.

O regulador também adverte que pressões operacionais, como a intenção de manter o horário, receio de arremetida ou tráfego intenso, não podem servir de argumento para pousar após aproximações instáveis.

No mesmo sentido, o comunicado frisa que os procedimentos do controlo de tráfego aéreo são concebidos para acomodar arremetidas com segurança, inclusive em aeroportos com grande movimento.

Recomendações para empresas: políticas, dados e treino

Como encaminhamento, a CAA recomenda que as companhias aéreas reavaliem as suas políticas de aproximação estabilizada e fortaleçam uma cultura em que a arremetida seja entendida como uma manobra preventiva normal - e não como falha da tripulação.

Entre as orientações apresentadas estão a revisão dos critérios, a ampliação do uso de monitorização de dados de voo, a inclusão de cenários realistas em simuladores, o incentivo à comunicação aberta e a investigação detalhada dos incidentes.

Esse assunto integra o Plano Nacional de Segurança da Aviação do Reino Unido para 2026–2029, que aponta as excursões de pista como uma das principais preocupações e reconhece as aproximações instáveis como um fator relevante para esses eventos.

O alerta da CAA seguirá válido até agosto de 2029, período em que as empresas deverão aplicar melhorias em treino, procedimentos e gestão de segurança.

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