O Aeroporto Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo e o terminal mais próximo do centro da maior cidade do país, vai deixar de operar apenas sob regras de voo visual e passará a contar com operações por instrumentos (IFR) a partir de 15 de setembro.
O comunicado foi feito nesta terça-feira (4) pelo presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Tiago Faierstein, durante a abertura da LABACE 2026. Essa mudança já havia sido antecipada meses antes pelo AEROIN.
Operações IFR no Aeroporto Campo de Marte
A entrada das Regras de Voo por Instrumentos altera de forma relevante a rotina do aeroporto, que até agora dependia exclusivamente do cenário meteorológico para manter as atividades. Com o IFR, pousos e decolagens poderão ocorrer mesmo com chuva forte, neblina ou teto baixo, diminuindo as paralisações provocadas por condições adversas.
Ainda não foi detalhado quais procedimentos IFR serão adotados, porém a expectativa é que sejam do tipo RNP (GPS), permitindo aproximações e decolagens nas duas cabeceiras.
Efeitos para a aviação executiva e o Grupamento Águia (PMESP)
Além de atender à aviação executiva, o Campo de Marte tem importância estratégica para as operações do Grupamento Águia da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP). A unidade conduz missões policiais, resgates e transporte aeromédico, incluindo o deslocamento de órgãos destinados a transplantes. Com a nova capacidade operacional, essas missões tendem a ocorrer com mais regularidade mesmo quando o clima não colaborar.
Tiago Faierstein afirmou que a implementação do IFR inaugura uma nova fase para o aeroporto e reforça sua função dentro da aviação geral brasileira. Ele destacou que a autorização do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) representa uma “virada de chave” para ampliar o uso da infraestrutura e estimular o desenvolvimento do setor no estado de São Paulo e no Brasil.
Articulação institucional e impactos para São Paulo
A implantação do sistema decorreu de uma coordenação entre os governos federal, estadual e municipal, em conjunto com a ANAC e o DECEA. A medida também cumpre uma obrigação prevista no contrato de concessão assinado com a Pax Aeroportos, concessionária que administra o Campo de Marte desde 2022.
Segundo a concessionária, as operações por instrumentos devem ajudar a aliviar a pressão sobre o sistema aeroportuário da capital paulista, elevar o apelo do aeroporto para novos investimentos privados e incentivar a geração de empregos. A empresa também entende que a infraestrutura apta ao IFR poderá ter papel relevante no futuro da mobilidade aérea urbana em São Paulo.
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