A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) comunicou, nesta semana, duas medidas regulatórias relevantes envolvendo aeronaves da Boeing.
Inspeções obrigatórias em 471 Boeing 737 MAX
A agência determinou a realização de inspeções compulsórias em 471 aeronaves da família Boeing 737 MAX, com o objetivo de localizar possíveis trincas estruturais na fuselagem. A Diretriz de Aeronavegabilidade (AD) recém-publicada cobre os modelos 737-8, 737-9 e 737-8200 registrados nos EUA.
O trabalho deve se concentrar em um reforço estrutural situado próximo às portas de saída - a cinta de reforço - além da pele da fuselagem em aviões que receberam determinados reparos.
Até agora, não houve identificação de fissuras nos 737 MAX. Ainda assim, a FAA avaliou como sensato ampliar o escopo das verificações por causa da semelhança de projeto e do processo de fabricação dessa região com o dos Boeing 737 de Nova Geração (NG), que no passado apresentaram trincas.
Segundo a agência, caso essas fissuras não sejam detectadas e corrigidas, há risco de prejuízo à integridade estrutural da fuselagem sob certas condições de carga. As inspeções precisam começar até 10 de setembro, e qualquer dano encontrado terá de ser reparado antes de a aeronave voltar a operar.
A Boeing declarou que trabalha com as companhias aéreas e com a FAA desde 2019 para lidar com o assunto e afirmou apoiar a diretriz, ressaltando que as inspeções são fundamentais para impedir que ocorrências evoluam para cenários críticos.
Proposta de diretriz para Boeing 787 Dreamliner com Rolls-Royce Trent 1000
Em paralelo, a FAA abriu consulta pública sobre uma proposta de diretriz voltada aos Boeing 787 Dreamliner equipados com motores Rolls-Royce Trent 1000. A autoridade apontou um quadro extremamente improvável, porém com impacto elevado, que poderia levar a uma falha não contida nos dois motores, em determinadas condições operacionais.
Para reduzir esse risco, a FAA propõe a adoção de modificações e de procedimentos obrigatórios nos motores afetados. Embora não haja registro de acidente decorrente desse tipo de falha, a iniciativa segue a abordagem preventiva da agência, voltada a evitar eventos de baixa probabilidade com consequências severas.
Contexto de fiscalização sobre a Boeing
As duas frentes reforçam o nível de rigor da supervisão da FAA sobre a Boeing, sobretudo após os acidentes com o 737 MAX em 2018 e 2019 e o incidente recente envolvendo um painel da fuselagem de um 737 MAX 9 da Alaska Airlines, em janeiro de 2024.
Apesar desse contexto, a FAA certificou recentemente o novo 737 MAX 7, reconhecendo melhorias nos processos de produção da fabricante, mas mantendo a fiscalização em nível elevado.
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