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Câmara Municipal do Porto, Sonae Sierra e Solive firmam Cartes Living com 331 habitações para aluguel acessível e construir para alugar

Homem entrega chave para mulher com planta e contrato em condomínio residencial moderno.

A Câmara Municipal do Porto, a Sonae Sierra e a Solive fecharam uma parceria para desenvolver, na modalidade de construir para alugar, um conjunto de 331 habitações que será direcionado ao mercado de aluguel acessível.

Projeto Cartes Living em Campanhã: 331 habitações para aluguel acessível

O empreendimento prevê duas torres, com 10 e 15 andares, e será financiado em partes iguais pela Sonae Sierra e pela Solive - uma empresa formada pelos franceses da Legendre e pela portuguesa Tecnibuild para atuação na promoção imobiliária. O investimento anunciado para esta fase é de €55 milhões.

Batizado de Cartes Living, o projeto ficará na Alameda de Cartes e na Rua da Arada, na região de Campanhã - apontada por especialistas do setor como uma área com forte potencial de expansão para novas construções residenciais. A entrega está prevista para 2029 e, quando concluído, o empreendimento passará a integrar a oferta do programa municipal Porto com Sentido, criado pela prefeitura em maio de 2020 para disponibilizar moradias a preços “mais acessíveis a jovens e casais com menos recursos”.

Contrato, tipologias e valores de aluguel previstos

O contrato-promessa de aluguel foi assinado nesta quinta-feira entre o Município do Porto, por meio da empresa municipal Porto Vivo, SRU, a Sonae Sierra e a Solive, no âmbito do Cartes Living - que as partes descrevem como “o maior projeto de arrendamento acessível atualmente em desenvolvimento em Portugal”.

O acordo abrange unidades de T0 a T3. Considerando os valores vigentes para 2026, os aluguéis mensais “devem variar entre €536,76 para um T0 e €971,28 para um T3, sujeitas às atualizações anuais previstas na legislação aplicável”. O contrato terá prazo inicial de 10 anos, com possibilidade de renovação até o limite máximo de 25 anos.

No pacote da operação urbanística, também estão previstas áreas a serem cedidas de cerca de 9.200 m² para infraestruturas viárias e de aproximadamente 6.100 m² para áreas verdes, com a finalidade de melhorar a qualificação urbana e ambiental do entorno.

Antecedente no Porto e outro acordo de construir para alugar

Vale lembrar que o “primeiro grande acordo construir para alugar no país” foi firmado em março entre a Câmara Municipal do Porto e o grupo Ageas, também para um projeto situado em Campanhã, com 124 habitações.

Na ocasião, o comunicado informava que “o Jardins do Oriente vai ter apartamentos com tipologias T0, T1, T2 e T3, com rendas mensais a variar entre os 525 e os 950 euros, significativamente abaixo dos valores do mercado livre, por um período mínimo de 10 anos”.

O texto acrescentava ainda que, dentro desse acordo, o investimento seria integralmente feito pelo grupo Ageas, sem custos para o Município do Porto, já que o valor mensal seria sustentado direta e proporcionalmente pelos aluguéis pagos pelos próprios inquilinos, conforme nota da prefeitura. O único custo que o município eventualmente poderá assumir está ligado a possíveis subsídios que venham a ser concedidos. O grupo Garcia Garcia ficará responsável pelo desenvolvimento e pela construção.

Declarações da prefeitura e escopo total do empreendimento

Durante a assinatura da parceria com a Sonae Sierra e a Solive, o prefeito Pedro Duarte, presidente do município da Invicta, ressaltou as “virtualidades” do Cartes Living, por estar em uma área de crescimento da cidade onde esse tipo de intervenção ainda é viável, mas sem abrir mão de “qualidade de construção, preocupações urbanísticas e de sustentabilidade”.

Ao reforçar o potencial de Campanhã, que a prefeitura “quer requalificar”, ele também chamou atenção para o fato de que a cidade não é igual a outros municípios e, por isso, "não se poder massificar a construção sem provocar outras situações" - numa referência à polêmica atual envolvendo a obra do edifício Emporium Park, na Avenida da Boavista (que foi obrigada a interromper os trabalhos).

Por fim, é importante destacar que o Cartes Living, no conjunto completo, prevê 500 habitações distribuídas por quatro torres; as demais unidades serão destinadas ao mercado residencial para venda, com obras ocorrendo em paralelo.

António Araújo, administrador da Solive/Tecnibuild, afirma que o projeto funciona como uma resposta objetiva ao desafio habitacional, ao oferecer unidades desenhadas para aluguel de longo prazo, “sem comprometer a qualidade construtiva, o conforto ou a eficiência energética”.

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