A Embraer pode estar perto de registrar sua primeira venda de jatos E2 na Índia, e conversas com a maior companhia aérea do país já teriam sido iniciadas.
Embraer mira a Índia além do KC-390
Enquanto promove no país o cargueiro militar KC-390, a fabricante brasileira já vinha sinalizando que quer ampliar sua atuação também no mercado civil indiano. Nesse movimento, a empresa tem reforçado parcerias industriais locais, com o objetivo de aumentar a base de fornecedores.
Se um eventual pedido indiano do KC-390 pode se tornar o maior já recebido pela Embraer no segmento militar, outra negociação relevante estaria avançando em paralelo: uma possível vitória comercial com a IndiGo, companhia de perfil low-cost que hoje lidera o mercado indiano, com mais destinos e uma frota bem maior do que a tradicional Air India.
IndiGo e sua frota dominada pela Airbus
Atualmente, a frota da IndiGo é formada exclusivamente por aeronaves do grupo Airbus, incluindo jatos A320neo e A321neo e turboélices ATR 72. A companhia também tem encomendas do modelo maior A350-900.
A empresa é conhecida por compras agressivas, frequentemente na casa das centenas de aviões. Um exemplo é a carteira de pedidos de 821 jatos A320neo, A321neo e A321XLR. No setor, esse volume costuma ser visto como totalmente irrealista para o mercado indiano (ou mesmo para qualquer outro), considerando que apenas três companhias no mundo operam hoje mais aeronaves: American, Delta e United, todas dos EUA - e ainda assim com frotas bastante diversificadas.
Negociação por “dezenas de aviões E2” e o plano para a malha regional
Esse pedido gigantesco tem uma explicação: a IndiGo compra aviões com a intenção de revendê-los logo depois. A estratégia lembra a prática de algumas locadoras de carros no Brasil, como a Localiza: adquirir em grandes volumes, com desconto do fabricante e incentivos fiscais, usar por um período curto e, então, revender.
No caso da IndiGo, isso fica evidente pela quantidade de jatos A320neo repassados para a LATAM Brasil, que já se aproxima de 10. Esse total faz parte de mais de 30 aeronaves do mesmo modelo das quais a empresa indiana se desfez, mesmo com pouco tempo de operação.
Segundo a Bloomberg, essa lógica pode estar sendo aplicada agora à Embraer. A InterGlobe Aviation Ltd., controladora da IndiGo, estaria negociando “dezenas de aviões E2” com a fabricante brasileira. Produzidos em São José dos Campos (SP), os jatos poderiam substituir os 44 turboélices ATR 72 da companhia e, ao mesmo tempo, apoiar a expansão da malha regional - além de também poderem ser revendidos depois, como ocorre com parte da frota de A320neo.
As tratativas ainda estariam em um estágio inicial. Porém, se evoluírem, podem resultar na primeira encomenda de jatos E2 na Índia e na região, com potencial para superar o pedido da americana Avelo Airlines, de 50 pedidos firmes e 50 opções de compra para o E195-E2.
Esse possível contrato também marcaria a estreia do E2 no sul da Ásia - região composta por Índia, Paquistão, Sri Lanka e Bangladesh. Por lá, a presença da Embraer ainda é limitada, e os clientes mais próximos do novo jato ficam na Jordânia e na Mongólia.
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