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Boeing 767 da ANA arremete em Haneda após aproximação de Cessna Citation CJ4

Cockpit de avião com dois pilotos prontos para decolar em pista de aeroporto com aeronaves ao fundo.

O que aconteceu no Aeroporto de Haneda

Na madrugada de 4 de agosto, um Boeing 767 da companhia aérea japonesa ANA (All Nippon Airways) teve de arremeter durante a aproximação para pouso no Aeroporto de Haneda, em Tóquio.

A aeronave, matrícula JA626A, é um 767-300ER que operava o voo NH968, vindo de Xangai. Durante a chegada, o 767 entrou em uma trajetória de potencial conflito com um jato executivo Cessna Citation CJ4, registro JA010G, utilizado pelo governo japonês em trabalhos de calibragem e homologação de instrumentos e rotas de navegação aérea.

No momento em que o Boeing seguia para o toque pela cabeceira 34R, o CJ4 havia decolado pela pista 05 e iniciou uma curva bastante fechada à direita, de 180°, para prosseguir no sentido oposto ao da decolagem. Nessa manobra, porém, o jato acabou cruzando a rampa de aproximação das cabeceiras 34L e 34R. Isso ocorre porque a pista 05 fica sobre o mar, em área aterrada, e é perpendicular ao restante do aeroporto.

Separação mínima, alertas do TCAS e arremetida do Boeing 767 da ANA

Em determinado ponto, o Citation CJ4 atingiu 975 pés de altitude, enquanto o Boeing 767 estava a 1.075 pés. Com isso, a separação vertical ficou em 30 metros, e a separação horizontal foi de cerca de 1.250 metros.

Com o cenário de proximidade, o sistema TCAS do 767 da ANA emitiu alertas, e a tripulação executou uma arremetida como manobra de evasão. Já os pilotos do CJ4 mantiveram-se em baixa altitude até a entrada da Baía de Tóquio, onde passaram a realizar órbitas para cumprir a missão de aferição de procedimentos e instrumentos de navegação aérea.

Depois da arremetida, o voo da ANA ainda teve uma segunda tentativa de pouso sem sucesso, mas concluiu o pouso com segurança na terceira aproximação. Até o momento, não está claro se o jato ou o Boeing possuíam as autorizações correspondentes para a decolagem com curva à esquerda e para o pouso pela cabeceira; porém, uma discussão acalorada ocorreu na frequência do tráfego aéreo do aeroporto, com questionamentos sobre se o controlador não tinha conhecimento da presença da outra aeronave.

Investigação e lembrança de ocorrências na cabeceira 34R

O episódio ainda será apurado, e outros detalhes não foram divulgados. Por coincidência, a cabeceira 34R de Haneda é a mesma associada a um acidente envolvendo um jato comercial e uma aeronave governamental japonesa em 2014.

Em 2 de janeiro de 2024, um Airbus A350XWB da Japan Airlines (JAL) colidiu durante o pouso com um turboélice De Havilland Canada DHC-8 da Guarda Costeira do Japão, que se encontrava na mesma pista 34R para decolagem. Em consequência da colisão, cinco ocupantes do DHC-8 morreram, um outro ficou ferido, enquanto 18 ocupantes do A350 sofreram ferimentos leves.

A investigação apontou como principal causa do acidente uma confusão na instrução do controle de voo por parte dos pilotos da Guarda Costeira, que entenderam que estavam autorizados a decolar e ingressaram na pista mesmo sem a autorização. Esse acidente foi o primeiro em que um jato A350 teve perda total:

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