Posição da ASPA sobre a passagem da Volta a Portugal
A ASPA - Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Patrimônio Cultural e Natural, de Braga - alertou neste domingo que a eventual passagem da Volta a Portugal pela Mata da Albergaria, no Parque Nacional Peneda-Gerês (PNPG), "é materialmente incompatível com os objetivos de conservação consagrados no seu Plano de Ordenamento".
Em nota, a entidade sustenta que "um parecer favorável dificilmente seria conciliável com os deveres legais de proteção que vinculam o ICNF [Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas] e colocaria em causa a coerência, a credibilidade e a autoridade do próprio regime jurídico de conservação da natureza".
Ainda segundo a ASPA, "O parecer do ICNF, relativamente à passagem da Volta a Portugal no coração do PNPG, deve respeitar a classificação do Parque Nacional, bem como o seu Plano de Ordenamento e, também, os compromissos internacionais assumidos por Portugal relativamente à proteção da biodiversidade e à conservação de habitats".
Atualmente, vale lembrar que a possibilidade de atravessar a Mata - cogitada pelos organizadores da prova de ciclismo - está sendo analisada pelo ICNF.
Mata da Albergaria no Parque Nacional Peneda-Gerês: por que é tão sensível
A associação ressalta que a Mata da Albergaria, localizada no município de Terras de Bouro, distrito de Braga, "constitui o núcleo ecológico mais sensível do Parque e é um dos espaços naturais de maior valor para a conservação da biodiversidade em Portugal. Está classificada, pelo Conselho da Europa, como uma das Reservas Biogenéticas do Continente Europeu, e integra as Reservas da Biosfera da UNESCO".
Por esse motivo, a ASPA enfatiza que "a sua proteção não representa uma mera opção de gestão, mas uma obrigação legal imposta pelo Plano de Ordenamento em vigor, que limita o trânsito automóvel e estabelece condicionantes a pessoas, nomeadamente a proibição de piqueniques".
Regras do Plano de Ordenamento e o papel do ICNF
A entidade reforça: "A Mata de Albergaria está classificada como zona de proteção parcial e total da área de ambiente natural, para a qual estão definidas as atividades permitidas e as que são permitidas de forma condicionada, estando, pois, interditas todas as atividades não listadas".
E acrescenta que, "para que não haja dúvidas, o artigo 8.º identifica atividades sujeitas a autorização do ICNF, nomeadamente "a realização de eventos desportivos ou recreativos'".
O que uma etapa da Volta a Portugal pode causar no local
A ASPA observa, por fim, que "é sabido que a realização de uma etapa da Volta neste local não se limita à passagem de ciclistas. Implica inevitavelmente a circulação de uma extensa comitiva motorizada, meios de apoio, forças de segurança, assistência técnica, comunicação social e a concentração de público, gerando perturbações incompatíveis com os objetivos de conservação que justificaram a classificação desta área".
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