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Tesouro de Dhariyah: jarro de 1.200 anos na Arábia Saudita revela joias rumo a Meca no califado abássida

Mão abrindo pote de barro com joias douradas e moedas enterrado na areia do deserto com camelos ao fundo.

Um recipiente de cerâmica, deixado sob a areia do deserto por cerca de 1.200 anos, trouxe à luz mais de 100 itens feitos de ouro, prata e pedras preciosas. Achado em Dhariyah, na Arábia Saudita, o conjunto pode ter sido escondido por alguém a caminho de Meca nos primeiros tempos do califado abássida.

O que foi encontrado no sítio de Dhariyah?

Conhecida como Tesouro de Dhariyah, a coleção estava protegida dentro de um vaso de barro enterrado entre estruturas de moradia. De acordo com a Comissão do Patrimônio Saudita, o achado inclui peças de ouro, objetos de prata, gemas, contas multicoloridas e fragmentos de cobre com oxidação.

Nas joias, aparecem motivos florais e desenhos geométricos executados com técnicas avançadas. Os artesãos trabalharam com lâminas de ouro, produziram ornamentos em relevo e assentaram pedras em pequenas montagens metálicas, evidenciando um nível de especialização associado a oficinas do mundo islâmico medieval.

Por que a localização surpreendeu os arqueólogos?

Dhariyah está na região de Al-Qassim e atuou como um ponto relevante na rota usada por peregrinos que viajavam entre Basra, no atual Iraque, e Meca. A estação oferecia água, abrigo e áreas de pausa para quem atravessava longos trechos áridos da Península Arábica.

Na sexta temporada de escavações, a equipe também reconheceu bacias de água revestidas com gesso, paredes de residências e fragmentos de cerâmica e vidro. Esse conjunto de evidências sugere uma infraestrutura estruturada, preparada para atender moradores, comerciantes e grupos em peregrinação.

O tesouro pertencia a um peregrino?

A hipótese de um peregrino ter enterrado as joias é considerada possível, porém ainda não está confirmada. O dono pode ter ocultado seus bens para evitar perdas em uma situação de risco, com a intenção de retornar e recuperá-los. Também se avalia a chance de o conjunto ter pertencido a um comerciante que levava mercadorias valiosas pela rota.

Entre os pontos principais que os arqueólogos estão examinando, destacam-se:

  • A posição exata do jarro dentro da construção;
  • O grau de desgaste e a composição das peças metálicas;
  • A procedência das pedras usadas nas joias;
  • A relação do conjunto com as cerâmicas encontradas ao redor;
  • A presença de oficinas ou áreas comerciais nas proximidades.

O que a descoberta revela sobre o período abássida?

A datação por radiocarbono de materiais orgânicos indicou que a ocupação mais importante do assentamento ocorreu entre 743 e 753. Esse período se alinha à ascensão do califado abássida, iniciado em 750, etapa associada à ampliação das redes de comércio, ao avanço da urbanização e ao florescimento científico e cultural.

A UNESCO descreve as rotas históricas do Hajj como sistemas que reuniam reservatórios, poços, fortalezas e estações de descanso. Um estudo publicado em 2024 na revista Sustainability também apontou que esses caminhos compunham paisagens culturais, conectando patrimônio, comunidades, circulação econômica e memória religiosa.

Novas escavações podem solucionar o mistério

O tesouro ainda deve passar por análises laboratoriais, conservação e comparações com materiais de outros sítios arqueológicos. Exames dos metais e das pedras podem indicar onde as peças foram produzidas, enquanto novas frentes de escavação podem revelar moedas, inscrições ou estruturas que ajudem a reconhecer seus antigos proprietários.

A cada camada removida em Dhariyah, os pesquisadores se aproximam de uma narrativa interrompida há mais de um milênio. Proteger esse patrimônio é urgente, porque o próximo fragmento pode esclarecer por que uma fortuna foi enterrada no deserto e jamais voltou às mãos de quem pretendia levá-la até Meca.

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