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Investigação na Nigéria apura pouso do Bombardier Challenger 601 N989BC da VMO Aero em Asaba em 10 de junho

Avião particular branco no aeroporto com dois homens em uniforme e cones de sinalização.

As autoridades da Nigéria seguem apurando as circunstâncias que fizeram um jato executivo Bombardier Challenger 601, registrado nos Estados Unidos com a matrícula N989BC e operado pela VMO Aero, pousar sem autorização em uma estrada em construção. O caso ocorreu após a aeronave interromper a primeira aproximação ao Aeroporto de Asaba em 10 de junho.

A bordo estavam três pilotos, um comissário de bordo e três passageiros. Apesar disso, a VMO tem permissão apenas para operações não comerciais - modalidade que não autoriza o transporte de passageiros pagantes.

Inconsistências na apuração e ausência de registros

Até o momento, a investigação encontrou divergências entre as versões apresentadas pelos pilotos, não localizou gravações das comunicações com o controle de tráfego aéreo e obteve apenas dados limitados dos gravadores de voo.

“Os dados recuperados até agora não foram suficientes para permitir uma reconstrução detalhada do incidente”, informou o órgão responsável pela investigação em seu relatório preliminar.

Antes da aproximação: desacordos no cockpit

Ainda durante os preparativos para a decolagem, os dois pilotos em comando e o observador entraram em discordância quanto ao uso do sistema de gerenciamento de voo e à altitude prevista para o cruzeiro.

O voo saiu de Lagos sem anormalidades até receber autorização para a aproximação por navegação aérea para a pista 11 em Asaba. O comandante, que fazia seu primeiro voo para aquele aeroporto, declarou que os instrumentos indicavam alinhamento adequado com a rota de aproximação publicada.

Aproximação em Asaba com o Bombardier Challenger 601 e a decisão de arremeter

Com a visibilidade reduzida por nuvens, a pista passou a aparentar, visualmente, estar deslocada para a direita, levando a tripulação a executar uma volta em órbita. Pouco depois de receber autorização para pousar, o piloto decidiu arremeter.

Embora a torre tenha solicitado o motivo da arremetida, não existe registro oficial da resposta nos arquivos da Autoridade Nigeriana de Gerenciamento do Espaço Aéreo (NAMA). Além disso, o sistema de gravação de áudio da torre estava inoperante, e as comunicações precisaram ser reconstituídas a partir de registros operacionais.

Na segunda tentativa, segundo o relato da tripulação, a aproximação foi reativada no sistema de gerenciamento de voo e a aeronave voltou a ser alinhada. O comandante afirmou que, à frente, a área pavimentada parecia corresponder à pista prevista e permanecia coerente com a navegação. Tanto o piloto quanto o copiloto disseram que o observador identificou aquela superfície pavimentada como sendo a pista correta.

O piloto-observador, porém, apresentou uma descrição diferente: afirmou que a aeronave permaneceu dentro de nuvens até o fim da aproximação, que o sistema de alerta de proximidade ao solo emitiu comandos de “subir” para evitar colisão com o terreno e que ele advertiu o comandante para abortar ao ver uma torre de telecomunicações à frente.

De acordo com o relatório, um passageiro, ao ouvir conversas no cockpit e demonstrar preocupação, perguntou se algum dos pilotos estava em treinamento.

Pouso na estrada, desembarque e retorno a Lagos

A aeronave tocou o solo na superfície pavimentada, e só então a tripulação percebeu que havia pousado em uma estrada em construção. Cerca de 20 minutos depois, a torre de Asaba questionou se existia intenção de decolar novamente. Os passageiros desembarcaram, e o comandante explicou o que havia ocorrido.

A empresa proprietária do jato recebeu informações sobre o incidente, as condições da aeronave e o plano para retirar o avião da estrada. Conforme dados encaminhados à investigação, os pilotos relataram preocupação com a segurança do local e não quiseram permanecer ali aguardando apoio.

Quando a equipe de resgate comunicou à torre que havia chegado ao local aproximadamente 35 minutos após o pouso, informou que a aeronave parecia intacta, mas que os passageiros “já não estavam presentes”. Em contraste, os dois pilotos declararam, em depoimentos, que nenhum profissional de resgate ou de emergência do aeroporto chegou ao avião antes da decolagem.

Com a falta da gravação das comunicações da torre, a investigação não conseguiu estabelecer se ocorreram outras interações além das que aparecem na transcrição reconstituída.

O primeiro oficial relatou que, depois de inspeções externas, o avião foi empurrado manualmente e girado 180° para se posicionar para a decolagem, enquanto um veículo percorreu a estrada para checar a presença de obstáculos ou detritos. O jato decolou rumo a Lagos aproximadamente duas horas após o pouso e chegou cerca de 42 minutos depois. Em uma inspeção posterior, foi constatado dano no conjunto da roda dianteira esquerda.

Recomendações destacadas no relatório preliminar

Embora as conclusões finais ainda não tenham sido divulgadas, o relatório preliminar ressaltou a importância de procedimentos padronizados para o gerenciamento de aeronaves, a coordenação entre órgãos, a avaliação técnica e a preservação de evidências em ocorrências semelhantes.

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