Por mais de seis décadas, quem passou pelo Aeroporto Internacional Washington Dulles, nos Estados Unidos, viveu um embarque e desembarque fora do padrão adotado na maior parte do mundo. No lugar das pontes de embarque fixas conectando o terminal às aeronaves, muitos passageiros eram levados até o avião em veículos especiais conhecidos no próprio aeroporto como salões móveis, projetados para cruzar o pátio e chegar diretamente à porta da aeronave.
Esse formato, que se tornou uma marca do terminal, agora começa a sair de cena. O aeroporto na região da capital federal iniciou a aposentadoria desses veículos dentro de um amplo plano de atualização da infraestrutura, encerrando uma operação iniciada em 1962, quando Dulles foi inaugurado.
A mudança está inserida em uma iniciativa de mais de US$ 20 bilhões anunciada pela Metropolitan Washington Airports Authority (MWAA) em parceria com a United Airlines. O pacote prevê ampliar a capacidade do aeroporto, entregar novas instalações e implementar melhorias voltadas à experiência do passageiro nas próximas décadas.
A proposta escolhida pelo Departamento de Transportes dos Estados Unidos (USDOT) foi selecionada após a avaliação de mais de 30 projetos apresentados por empresas e organizações interessadas em participar da transformação do aeroporto.
Os salões móveis nasceram a partir de um conceito do arquiteto Eero Saarinen, responsável também pelo desenho original do aeroporto. A ideia era colocar veículos para operar diretamente na área de movimentação das aeronaves e permitir o embarque sem depender de passarelas fixas.
Veículos marcaram uma fase da aviação americana
Na prática, os salões móveis funcionavam como grandes salas de espera sobre rodas. Depois de receber os viajantes, seguiam pelo pátio e, ao chegar à aeronave, elevavam a cabine até a altura da porta para viabilizar o embarque.
O sistema foi concebido em um momento em que aeroportos buscavam soluções novas para acompanhar a expansão da aviação comercial. Em Dulles, a proposta era diminuir longos deslocamentos a pé e oferecer uma alternativa às estruturas tradicionais de embarque.
Com o passar do tempo, porém, esse modelo passou a ser visto como menos eficiente diante do aumento do fluxo de passageiros e da demanda por conexões mais rápidas dentro dos terminais.
O plano de transformação prevê mais de 5 milhões de pés quadrados (cerca de 465 mil m²) de áreas novas ou renovadas, mantendo o projeto original de Saarinen e incorporando melhorias em diferentes pontos do terminal.
Entre as intervenções previstas estão estacionamentos mais próximos ao edifício principal, áreas de check-in modernizadas, sistemas de inspeção de segurança da TSA de última geração e novos acessos aos terminais e aos portões de embarque.
Modernização substitui sistema criado nos anos 1960
Com a retirada dos salões móveis, a intenção é ampliar as opções de circulação interna. O projeto inclui a expansão do AeroTrain, sistema automatizado que liga diferentes áreas do terminal, além da construção de novos túneis para pedestres e a instalação de esteiras rolantes.
A extensão do AeroTrain deve reduzir o tempo de deslocamento entre setores do aeroporto e integra a substituição do transporte de passageiros pelo pátio.
O pacote também contempla a construção de novos terminais e a atualização dos existentes, incluindo a substituição dos Concourse C e D. As novas áreas devem oferecer mais espaço para lojas, restaurantes, pontos de recarga, locais para trabalho e áreas de espera.
Outra etapa prevista é a construção de um novo terminal internacional conectado ao edifício principal. A estrutura terá áreas de espera, opções de compras e alimentação, novas salas VIP e acesso direto às instalações ampliadas da alfândega.
Aeroporto de Washington terá novos espaços e serviços para passageiros
O programa de modernização inclui ainda a atualização do sistema de bagagens, com a meta de diminuir o tempo de entrega das malas aos passageiros.
A United Airlines também deve ganhar áreas ampliadas, com novos ambientes de salas VIP, incluindo o projeto de uma das maiores United Polaris Lounges do mundo.
As obras do novo Concourse E já começaram. A primeira fase, com inauguração prevista ainda em 2026, deve trazer 14 novos portões da United Airlines, ligação direta ao AeroTrain, opções de alimentação, lojas e áreas de descanso.
De acordo com a Metropolitan Washington Airports Authority, os trabalhos serão executados por etapas para manter o aeroporto em operação durante o período de transformação. O financiamento virá por meio de títulos municipais e parcerias público-privadas.
Dulles era o último grande aeroporto dos Estados Unidos a manter uma frota completa de salões móveis em funcionamento. Com a retirada dos veículos, chega ao fim uma das soluções mais singulares já aplicadas à infraestrutura aeroportuária americana.
O plano mantém o compromisso de preservar o terminal projetado por Eero Saarinen, ao mesmo tempo em que adapta a estrutura para aumentar a capacidade de voos, melhorar conexões e acompanhar o crescimento do número de passageiros.
Os veículos deixam de circular pelo pátio, mas seguem ligados à história de Dulles e a um período em que aeroportos testavam diferentes formas de transportar passageiros entre terminais e aeronaves.
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