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Como os nabateus construíram Petra no deserto

Homem com roupa antiga bate vaso de barro em frente ao Tesouro de Petra, Jordânia, esculpido na rocha vermelha.

Petra não surgiu só da capacidade de talhar fachadas em imensos paredões de arenito. A cidade foi obra dos nabateus, um povo árabe que fez de uma área árida no sul do que hoje é a Jordânia uma capital de comércio, um polo religioso e um exemplo de engenharia - acumulando riqueza com caravanas que conectavam a Arábia ao Mediterrâneo.

Quem eram os construtores de Petra?

Quem impulsionou a construção e a expansão de Petra foram os nabateus. De origem árabe, esse grupo aparece em registros antigos associado ao comércio de caravanas. Com o passar do tempo, consolidou um reino que se estendeu por partes do que hoje correspondem à Jordânia, Arábia Saudita, Síria, Israel e à Península do Sinai.

Entre os séculos 3 e 2 a.C., Petra começou a se destacar e acabou se tornando a principal cidade nabateia. Sem abandonar por completo seus costumes, seus habitantes uniram saberes do deserto a influências árabes, egípcias, gregas e romanas, formando uma identidade própria - visível tanto na arquitetura quanto nas práticas religiosas.

Por que Petra foi construída naquele lugar?

À primeira vista, o cenário era inóspito, mas a posição era extremamente vantajosa. Localizada entre o Mar Vermelho e o Mar Morto, Petra estava perto de rotas que ligavam a Península Arábica, o Egito, a Síria e portos do Mediterrâneo. A UNESCO descreve a cidade como um relevante ponto de encontro das caravanas da Antiguidade.

Por ali circulavam mercadores com incenso, mirra, especiarias, tecidos, metais e outras mercadorias valiosas. Os nabateus arrecadavam taxas, garantiam proteção e ofereciam água e abrigo aos viajantes. Ao controlar esse tráfego, obtiveram os recursos que permitiram ampliar templos, moradias, áreas de mercado e monumentos funerários.

Como os nabateus venceram a falta de água?

Para que Petra prosperasse, era indispensável resolver a escassez de água. Seus construtores criaram canais escavados na rocha, barragens, tubulações, cisternas e reservatórios. O conjunto captava a água das chuvas e também conduzia água de nascentes distantes, garantindo abastecimento para moradores, lavouras, jardins e viajantes durante as épocas de seca.

Essa engenharia ainda ajudava a defender a cidade de enchentes repentinas. Entre as soluções que possibilitaram a ocupação do vale, estavam:

  • Canais de distribuição feitos nas paredes dos desfiladeiros.
  • Cisternas subterrâneas para armazenar água e diminuir a evaporação.
  • Barragens e desvios voltados ao controle de enxurradas perigosas.
  • Reservatórios urbanos usados para consumo, agricultura e áreas públicas.

Veja o vídeo publicado pelo canal do YouTube Estranha História que narra a história por trás da construção de Petra.

O Tesouro era realmente um cofre?

O cartão-postal mais conhecido de Petra é Al-Khazneh, chamado de O Tesouro. Apesar do apelido, arqueólogos apontam como mais provável que a construção tenha servido como um túmulo monumental, possivelmente associado à realeza nabateia. Sua fachada foi talhada diretamente no arenito, provavelmente no século 1.

Petra reúne centenas de fachadas, túmulos e outras estruturas, muitas delas esculpidas na própria rocha. Colunas, frontões e elementos decorativos evidenciam influências de diferentes povos com quem os nabateus mantinham relações comerciais. E a cidade não se resumia a sepultamentos: funcionava como uma metrópole, com templos, residências e zonas de comércio.

O que aconteceu quando os romanos chegaram?

Em 106 d.C., o imperador Trajano incorporou o reino nabateu ao Império Romano e instituiu a província da Arábia Pétrea. Petra seguiu habitada e ganhou novas obras, mas passou a ter menos autonomia. Ao mesmo tempo, alterações nas rotas marítimas de comércio foram reduzindo, aos poucos, sua relevância econômica.

Com o passar dos séculos, terremotos, mudanças políticas e a perda de força do comércio ajudaram a acelerar o declínio da cidade. Ainda assim, Petra preserva o legado de quem a ergueu. Entender sua trajetória é perceber que os nabateus não “encontraram” uma cidade pronta no deserto: eles a construíram com comércio, engenharia e inventividade.

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