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Boeing 777F da National Airlines supera o Airbus A350-1000ULR em voo sem escalas até Melbourne

Avião da National Airlines pousando em pista com fumaça nos pneus ao toque no chão ao pôr do sol.

Poucos dias depois de a Airbus ter estabelecido o recorde do voo sem escalas mais longo já feito por um jato comercial, uma companhia aérea dos Estados Unidos realizou uma rota muito parecida e derrubou outra marca.

Testes de alcance do Airbus A350-1000ULR

A Austrália foi escolhida como destino do primeiro voo de ensaio de longa duração do Airbus A350-1000ULR - a versão de alcance estendido desenvolvida pela Airbus especificamente para a Qantas. A companhia pretende começar a operar essa aeronave a partir do ano que vem em voos da costa oeste da Austrália para Londres, Nova York e, mais adiante, São Paulo.

No trecho direto entre Toulouse, no sul da França, e Melbourne, na Austrália, a aeronave percorreu 9.119 milhas náuticas (16.888 quilômetros) em 19 horas e 13 minutos. Já na viagem de retorno, em sentido oposto e com passagem pelos EUA, o A350-1000ULR superou todos os recordes anteriores de jatos comerciais, cobrindo 12.500 milhas náuticas (23.150 km) em 24 horas e 25 minutos.

Boeing 777F da National Airlines supera o primeiro recorde

Agora, um voo da cargueira National Airlines foi além do primeiro feito da Airbus: um Boeing 777F voou sem escalas de Prestwick, na Escócia (ao sul de Glasgow), também com destino a Melbourne. Essa rota é 53 milhas náuticas (98 km) mais longa do que a ligação Toulouse–Melbourne e, por isso (além de fatores como vento), foi cumprida em 19 horas e 23 minutos - 10 minutos a mais do que o tempo registrado no voo da Airbus, o suficiente para ultrapassar a marca.

Embora esse voo da National ainda esteja bem distante do trajeto de mais de um dia realizado sem escalas pelo A350-1000ULR no retorno a Toulouse, ele chama atenção por um motivo: não se tratava de uma aeronave vazia nem transportando apenas tripulação técnica e equipe de testes, como ocorreu com a Airbus.

O 777F estava, de fato, em uma operação comercial, levando uma pequena carga - visível nas imagens divulgadas pela própria National. Ao que tudo indica, era somente um palete/contêiner que, segundo informações preliminares, transportava um conjunto de reversos dos motores GEnx de um Boeing 787-8 da JetStar, de matrícula VH-VKF, que apresentou problema em Melbourne e permanecia parado na cidade desde 25 de julho.

Prestwick abriga a GE Caledonian, subsidiária da General Eletric Aerospace criada em 1980, que realiza serviços completos de reparo em motores da GE e também mantém um grande estoque de peças.

Como se tratava de apenas um item - e relativamente leve diante do que um Boeing 777F normalmente carrega -, o avião operou praticamente vazio. Com menos massa a bordo, o consumo horário caiu, o que ampliou de forma significativa o alcance disponível.

Comparação com marcas anteriores do setor

Até o momento, não há registro de um voo cargueiro comercial (isto é, com carga paga) que tenha ultrapassado 19 horas sem escalas ou coberto uma distância tão extensa. Isso é ainda mais relevante no transporte aéreo de cargas, no qual rotas diretas costumam ser encurtadas para viabilizar a maior quantidade possível de carga remunerada.

De forma curiosa, o recorde que a Airbus havia superado pertencia ao próprio Boeing 777 - porém na versão de passageiros 777-200LR, que acabou servindo de base para o cargueiro 777F. Em 2005, um Boeing 777-200LR voou sem escalas de Hong Kong para Londres, no sentido leste, passando pelos EUA. Naquele voo, foram 11.664 milhas náuticas (21.600 quilômetros) em 22 horas e 42 minutos.

Apesar disso, o voo da National ficou a apenas 11 minutos de bater o recorde absoluto da indústria em voos comerciais - marca que, atualmente, também está ligada à Austrália. Em 2019, um Boeing 787-9 Dreamliner da Qantas levou 50 passageiros sem escalas de Londres a Sydney em 19 horas e 30 minutos, percorrendo uma distância 15 milhas náuticas (29 km) maior do que a do 777F da National.

Mesmo assim, por ter sido uma operação sem preparo especial, ao contrário dos recordes estabelecidos por Airbus, Boeing e Qantas, há um mérito considerável da National Airlines e de seus funcionários: atenderam a uma demanda real em uma distância jamais voada antes por um jato cargueiro em serviço comercial.

As distâncias consideradas aqui correspondem à menor rota direta entre dois pontos, apenas para fins comparativos, e não refletem necessariamente a distância efetivamente percorrida por cada aeronave, ao contrário do tempo de voo, que foi confirmado por dados de radar.

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