As maiores companhias aéreas que operam nos Estados Unidos terão até o fim de 2030 para realizar alterações em suas aeronaves diante do risco de que sinais de telefonia móvel causem interferência em equipamentos usados para medir a altitude durante o voo.
Prazo e alcance da exigência da FAA para radioaltímetros
A determinação foi divulgada pela Federal Aviation Administration (FAA) e abrange operações de companhias aéreas domésticas e internacionais consideradas as mais relevantes para o público. Segundo a agência, são voos que enfrentam as maiores expectativas de segurança e concentram boa parte das operações em baixa visibilidade - cenário em que, se houver risco de interferência classificada como perigosa para os sistemas da aeronave, podem ocorrer restrições.
Para outras aeronaves, o cronograma é mais longo: o limite para concluir as adaptações necessárias vai até 2034. Embora as regras da FAA se apliquem a aeronaves que voam no espaço aéreo dos Estados Unidos, operadores estrangeiros não terão direito aos reembolsos previstos pelo programa.
Requisitos de nova geração e risco de interferência do 5G
A FAA passou a exigir que os radioaltímetros atendam aos requisitos de desempenho de uma nova geração. A medida busca impedir que sinais 5G em determinadas frequências levem a leituras incorretas desses equipamentos, conforme informou a Reuters.
Os radioaltímetros indicam a altura da aeronave em relação ao solo e têm papel especialmente crítico durante pousos em condições meteorológicas adversas.
Custos das modificações e reembolsos ligados ao leilão da faixa C
Além do prazo, a FAA também prevê até US$ 2,2 bilhões em reembolsos do governo para ajudar a compensar parte dos custos das mudanças. Esses recursos virão de uma parcela da arrecadação obtida pelo governo no leilão de espectro da faixa C conduzido pela Federal Communications Commission (FCC).
A FAA estima que a adaptação custará entre US$ 80 mil e US$ 120 mil por aeronave. Considerando a aviação civil como um todo, o valor total das modificações pode chegar a US$ 7,1 bilhões.
O presidente da FCC, Brendan Carr, declarou que os processos conduzidos pela comissão e pela FAA permitirão, em conjunto, atualizar os radioaltímetros e viabilizar os reembolsos para operadores e proprietários de aeronaves domésticas que sejam elegíveis.
A preocupação com a interferência do 5G nesses equipamentos já afetou a aviação norte-americana. Em 2022, alguns aeroportos tiveram interrupções breves após companhias aéreas internacionais cancelarem voos por receio de que os sinais 5G pudessem impactar os radioaltímetros.
O impasse foi contornado depois de um acordo voluntário entre as operadoras Verizon e AT&T e as principais companhias aéreas. Mesmo assim, as empresas seguiram lidando com dificuldades enquanto avançavam no processo de atualização dos radioaltímetros de suas frotas.
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