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ATR comenta Relatório Final do CENIPA sobre o acidente do voo 2283 da Voepass

Pessoa manuseando tablet com gráficos em mesa próxima a janela com vista para avião e trabalhadores no aeroporto.

O que diz o Relatório Final do CENIPA sobre o acidente do voo 2283

Após a divulgação do Relatório Final da investigação do acidente com o voo 2283 da Voepass, ocorrido em agosto de 2024 em Vinhedo (SP), a ATR se posicionou publicamente.

O documento do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) apontou diferentes fatores contribuintes ligados ao voo 2283, operado por um ATR 72-500 da Voepass. A aeronave, de matrícula PS-VPB, caiu em Vinhedo em 9 de agosto de 2024, durante o procedimento de descida para o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), resultando na morte das 62 pessoas a bordo.

Pronunciamento da ATR após a publicação

Em nota, a fabricante do ATR 72-500 envolvido informou que tomou conhecimento da publicação do relatório - que ocorreu ontem - e ressaltou que a segurança de voo é uma responsabilidade central de todo o sistema de aviação comercial e de seus diversos participantes.

Este acidente demonstra novamente que o cumprimento dos procedimentos de manutenção, das operações e dos treinamentos é essencial para evitar que ocorrências semelhantes voltem a acontecer“, afirmou a ATR.

A empresa acrescentou que segue comprometida em atuar em conjunto com todos os agentes do setor para impulsionar um sistema de aviação mais seguro e sustentável.

Contribuições apontadas: alerta INCREASE SPEED e classificação de nível 2 (CAUTION)

Entre os fatores contributivos, o CENIPA classificou como indeterminada a contribuição do projeto da aeronave. Segundo o órgão, apesar de os alertas existirem e funcionarem conforme previsto, “o fato de o alerta INCREASE SPEED ter sido categorizado como de nível 2 (CAUTION) pelo fabricante pode ter induzido as tripulações a subestimarem a gravidade da condição a ser gerenciada.”

Recomendação de segurança e mudanças no APM (monitoramento de desempenho)

O CENIPA também emitiu uma recomendação de segurança - já implementada pela ATR - relacionada ao sistema de monitoramento de desempenho da aeronave (APM). De acordo com o Centro, um novo software incorporou “melhorias significativas voltadas à confiabilidade do algoritmo e precisão no monitoramento do desempenho da aeronave em condições de acúmulo de gelo” e recebeu “ajustes nos métodos de cálculo e monitoramento do sistema, bem como nas condições de ativação dos alertas, com o objetivo de aumentar a robustez do sistema APM“.

Entre as medidas práticas descritas, está a ampliação do envelope de monitoramento do APM, com acompanhamento contínuo e geração de alerta ao longo de todo o voo, mesmo quando a aeronave não identifica condições de formação de gelo. Além disso, o tempo de existência contínua dos alertas CRUISE SPEED LOW e DEGRADED PERFORMANCE foi ampliado para 60 segundos, com o objetivo de elevar a consciência situacional dos tripulantes.

Outras mudanças mencionadas envolvem o ajuste dos valores de velocidade usados para ativar os alertas, permitindo que os pilotos adotem ações de forma mais antecipada. Em testes feitos nos simuladores da própria ATR com o novo software, o CENIPA verificou que o alerta DEGRADED PERFORMANCE surgiu 27 minutos antes do alerta registrado no voo 2283, ao reproduzir no simulador as mesmas condições do dia 9 de agosto de 2024.

Ainda na simulação com o software atualizado, foi observado que “o último alerta de DEGRADED PERFORMANCE foi ativado 31 segundos antes, em relação à ativação no voo do acidente“.

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