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Arqueólogos mapeiam o aqueduto subterrâneo da Villa de Casoni perto de Roma

Dois engenheiros com capacetes e coletes refletivos realizam escaneamento em túnel subterrâneo com laptop e equipamentos.

Arqueólogos localizaram e mapearam o aqueduto subterrâneo que, no passado, levava água até a Villa de Casoni, nos arredores de Roma.

Essa confirmação encerra uma dúvida levantada ainda no século XVIII e indica um sistema hídrico concebido antes de o domínio romano remodelar por completo a região.

Rastreando o aqueduto perdido

Sob as ruínas em terraços da Villa de Casoni, perto de Montopoli di Sabina, no centro da Itália, um canal enterrado segue de nascentes na encosta em direção à propriedade.

Ao acompanhar as paredes talhadas na rocha e as aberturas naturais, a Dra. Nadia Fagiani, da autoridade arqueológica regional, demonstrou com precisão onde esse canal se conectava ao sistema de água da villa.

Túneis escavados em pedra e uma cisterna interligada indicam que a água circulava num único conjunto integrado - e não em trechos dispersos, como se descrevia há muito tempo em textos antigos.

Com o traçado físico agora verificado, esses relatos anteriores passam a ter uma estrutura mapeada como referência e fica aberto o caminho para investigar como o restante da rede operava.

Lendo as anotações antigas

No fim dos anos 1700, estudos locais mencionavam marcas muito antigas de aquedutos e uma nascente que mais tarde recebeu o nome de Fonte Varrone.

Registros posteriores repetiram a mesma afirmação ao longo do século XIX, mas ninguém conseguia relacionar as palavras a um percurso efetivamente cartografado.

Por fim, trabalhos topográficos minuciosos e levantamentos de campo fizeram as descrições coincidirem com túneis reais, nascentes e um ponto de captação hoje soterrado.

A identificação desse elo material também delimitou melhor onde procurar assentamentos mais antigos, que podem ter sido os primeiros a construir o sistema.

Dentro da rede de túneis

A cerca de 300 metros da villa, exploradores entraram numa rede subterrânea ramificada que ainda acompanha a inclinação do terreno em direção à parte baixa.

Os arqueólogos chamam essas passagens de cuniculi: túneis estreitos, abertos manualmente, usados para conduzir água através de rocha sólida.

Escavados diretamente na rocha natural, os canais captavam água de várias nascentes e a direcionavam para uma única câmara de coleta.

Corredores tão apertados exigiam manutenção constante, porque poços obstruídos ou detritos desabados podiam interromper o fluxo muito antes de a água chegar às pessoas.

Limpando a água antes do uso

Antes de a água das nascentes ser utilizada, o sistema a conduzia até uma cisterna, onde a circulação mais lenta permitia que partículas se depositassem.

Nesse ponto, os construtores fizeram uma piscina limaria, um tanque de decantação que favorece o afundamento de areia e silte.

Após o sedimento assentar, a água mais limpa retornava aos túneis e alimentava as termas e as fontes da villa.

Mesmo com esse filtro simples, cheias sazonais ainda podiam turvar o abastecimento, o que obrigava o planejamento de proteções para as captações.

A água moldou a villa

Duas plataformas em declive organizavam o desenho da villa: um jardim paisagístico embaixo e, acima dele, os ambientes privados.

Um fornecimento constante permitia aos proprietários manter uma piscina circular sempre límpida e conservar caminhos sombreados durante os verões quentes.

No terraço inferior, um nymphaeum - um santuário-jardim com aspecto de gruta dedicado à água - estruturava o espaço ao lado dessa piscina.

A segurança no abastecimento transformou aquele endereço na encosta num lugar voltado à hospitalidade, e não apenas à produção agrícola, muito antes de existirem redes urbanas de água.

Indícios anteriores ao domínio romano

Detalhes construtivos sugerem que as obras hidráulicas começaram antes de o poder romano imprimir plenamente sua marca nesta parte da região da Sabina.

Em vez de um único canal bem acabado, a rede combina captação e drenagem, um padrão frequente em soluções rurais de engenharia mais antigas.

Planejadores locais podem ter estabelecido um vicus, uma pequena povoação rural com fazendas, e construtores posteriores teriam adaptado suas linhas de água para servir à villa.

A datação das primeiras escavações dependerá de sedimentos e artefatos em camadas seladas, já que as pedras, por si, raramente oferecem datas.

Escaneamento dos túneis em 3D

Para ligar os canais ocultos às ruínas visíveis na superfície, a equipe pretende realizar um levantamento subterrâneo completo em três dimensões.

Com LiDAR - varredura a laser que mede distâncias em 3D - será possível mapear paredes sem contato direto.

“LiDAR tornará possível obter um mapa 3D completo de todo o sistema hidráulico subterrâneo, ligado com precisão às paredes e aos cômodos da villa”, disse Fagiani.

Mapas mais detalhados também reduzem a margem de suposição, ajudando a proteger túneis frágeis e a definir onde uma escavação cuidadosa ainda pode ser segura.

Colaboração no subsolo

Espeleólogos passaram por corredores baixos, registraram direções e fotografaram paredes a que levantamentos de superfície jamais chegariam com segurança.

Em parceria com técnicos do patrimônio público, o Grupo Espeleológico-Arqueológico Vespertilio da Itália forneceu técnicas de progressão por corda e conhecimento especializado em segurança subterrânea para a investigação.

A experiência local também contou, porque proprietários de terras lembravam de um antigo bebedouro que era abastecido pelas nascentes e orientaram as equipes encosta abaixo.

Trabalhos desse tipo avançam com mais rapidez e com menos risco quando arqueólogos, cavernistas e moradores dividem as responsabilidades em cada etapa.

A água nas colinas da Sabina

Mais do que um único complexo, os túneis mostram como comunidades administravam a água nas colinas muito antes de Roma padronizar seu interior.

Pesquisadores da Universidade de Basileia combinaram levantamentos de campo com estudos ambientais para acompanhar o uso da terra no entorno da villa.

A partir de sua crista a nordeste de Roma, o sítio observa o Vale do Tibre e o rio Farfa, um curso d’água importante na região.

Vincular o novo mapa do aqueduto a dados de solos e cultivos pode indicar se o controle da água ajudou a manter a área produtiva ao longo de séculos.

Planos para futuras escavações

As evidências dos túneis, das nascentes e da bacia de decantação agora conectam a villa a um sistema de água descrito há muito tempo, mas jamais localizado.

Daqui para frente, a datação, o mapeamento 3D detalhado e regras rigorosas de acesso vão determinar quanto do sistema poderá ser estudado ou visitado.

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