Uma das principais bases aéreas que sustentam o serviço logístico da Força Aérea Americana (USAF) terá a sua denominação alterada para prestar homenagem ao recém-falecido senador republicano Lindsey Graham.
Carreira na USAF e atuação na política
Nascido em 9 de julho de 1955, Graham atuou como advogado da USAF entre 1985 e 2015 e se aposentou como coronel depois de passar anos na reserva e na Guarda Aérea Nacional. Ao longo da carreira, suas atribuições permaneceram ligadas à Justiça Militar e, inclusive, ele serviu como adido jurídico no Iraque durante a Operação Tempestade no Deserto (Guerra do Golfo).
A partir de 2003, tornou-se senador pela Carolina do Sul, uma vez que sua posição na USAF permitia que ele exercesse atividade política. No cenário público, ganhou notoriedade por defender a política externa americana, sendo um apoiador importante de George W. Bush e de Donald Trump, com quem mantinha amizade próxima e jogava golfe.
Ele também esteve no centro de controvérsias, como a teoria de que a Ucrânia teria apoiado esforços para favorecer a eleição de democratas em 2016, ano em que Hillary Clinton foi derrotada por Donald Trump após vazamentos de e-mails obtidos pela Rússia.
Além do episódio dos e-mails, a Rússia, por meio de sua mídia propagandista, trabalhou para impulsionar narrativas envolvendo Joe Biden e seu filho em supostas ações na Ucrânia, as quais estariam direta e indiretamente conectadas ao contexto que levou ao Euromaidan e, posteriormente, à invasão russa do território ucraniano.
De forma curiosa, depois da segunda invasão russa da Ucrânia, em 2022, Graham voltou a demonstrar apoio ao país novamente atacado. Ele passou a criticar Putin com dureza e chamou o ditador russo de corrupto, o que levou Moscou a emitir um mandado de prisão contra ele - que nunca foi executado. Sua morte, inclusive, aconteceu um dia após retornar de uma viagem oficial à Ucrânia, em 11 de julho, em decorrência de uma doença cardiovascular.
A morte inesperada teve grande repercussão na política americana. Diversos integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo prestaram homenagens, e líderes europeus e de Israel enviaram condolências. Já o Irã celebrou a morte do senador, que frequentemente atacava a ditadura iraniana e apoiava Trump nas ações contra o regime dos aiatolás.
Pentágono determina renomeação da Base Aérea Conjunta de Charleston
Agora, nesta terça-feira, 28 de julho, durante o funeral de Graham, o Pentágono expediu uma ordem determinando que a Base Aérea Conjunta de Charleston, na Carolina do Sul, passe a se chamar Base Aérea Conjunta Lindsey Graham, retirando do nome a referência à cidade mais populosa do estado.
A Base de Charleston é uma das maiores instalações vinculadas ao Comando de Mobilidade Aérea, considerado a espinha dorsal das Forças Armadas americanas por garantir a logística de alta velocidade dos EUA. Somente nessa base, há mais de 50 aeronaves Boeing C-17 Globemaster III sediadas; na maioria das vezes em que um cargueiro militar americano visita o Brasil, ele pertence a um dos vários esquadrões baseados em Charleston.
Reação dentro da USAF e críticas à escolha
Apesar do anúncio, a decisão não foi bem recebida dentro da própria USAF. Vários militares da ativa criticaram a escolha em redes sociais, apontando o caráter político da homenagem. Embora Graham fosse reconhecido como defensor das Forças Armadas, ele não era aviador nem combatente, e desempenhou funções sem relação direta com combate.
Há, ainda, críticas sobre o uso político de seu status militar e sobre ter alcançado o posto de coronel, como se isso refletisse um histórico de serviço que, para alguns, não se traduziria em ações claras junto a colegas de farda. Para muitos, existiriam nomes mais adequados - inclusive de aviadores mortos em combate - para batizar a base. Também há quem veja a troca como desnecessária, já que a denominação atual está consolidada internamente há décadas.
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